segunda-feira

Correspondência de Valquíria Gondul
#01

Lisboa, 21 de Janeiro de 2008

Caríssimo Sr. Vladimir.

Antes, queria pedir-lhe desculpa pelos largos dias de silêncio. Sou uma mulher que raramente age por impulso, sou racional e penso sempre muito antes de agir.
Esta minha missiva para si, tem por finalidade lhe transmitir alguns dos meus pensamentos e porque não, opiniões, sobre o nosso jantar do dia 19 de Dezembro do ano que já passou.
Reparei no cuidado que teve com tudo, o que gostei, a ementa cuidadosamente seleccionada, mas devo dizer-lhe que nem tudo estava do meu agrado e bem confeccionado.
Não gosto de Faisão mal passado, apesar de gostar de sangue.
A pouca luz que fez questão que existisse na sala, só serviu para não conseguir ter a certeza se é realmente feio como penso.
Não o quero magoar com as minhas palavras, é bom que se habitue à minha maneira de ser se quiser por ventura, continuar a privar da minha companhia.
Saiba que eu apenas escolho os melhores para a meu lado existirem, sempre foi assim e assim irá continuar a ser.
Quanto ao seu alfaiate especial de quem me tentou falar, acho que se equivocou, a verdadeira grandeza de muitas coisas nesta vida, não é geométrica ou matemática, o que para o senhor pode ser grande e necessitar de uma produção personalizada, para mim pode ser terrivelmente pequeno, pequeno em competência, capacidade, aptidão, mestria.
Termino esta minha missiva dizendo-lhe que não desejo, muito menos sonho, mas que não encontro nada em mim que me impossibilite voltar a estar consigo.

Valquíria Gondul.

4 opiniões:

Maura disse...

O que eu ri com esta frase:

«A pouca luz que fez questão que existisse na sala, só serviu para não conseguir ter a certeza se é realmente feio como penso.»

Mas... o Vladimir é feio?!!

Vladimir Severo disse...

Eu sou belo menina Maura, tenho a certeza que meus encantos a deixariam a suspirar...

LuisElMau disse...

Presunção e água benta, cada qual toma a que quer.

Valquíria Gondul disse...

Maura, espero sinceramente que não seja uma dessas moças que se deixam levar facilmente por palavras ao vento, no seu lugar nem sequer as lia.
Um concelho de uma sua amiga.