terça-feira

Diário de Vladimir Severo
Lisboa, 22 de Julho de 2008

Sei que só o presente existe e que ele, assim como a existência, não pode ser parado e observado para analisar e concluir. A nossa existência é para ser vivida e sentida, assim como o tempo, o presente.
Sei que para muitos dos que me lêem faz já muito tempo que não escrevo nem apareço, para esses desapareci, assim como se tivesse deixado de existir, porque não estou presente. Se não estou presente, se não vivo o meu presente e se não presenteio os outros com a minha presença assim como não recebo a presença dos outros ao meu redor, não existo.
Mas não é assim, na verdade não morri e ainda existo, apenas não existo aqui, neste espaço.
Volto hoje quase só para deixar um sinal de vida.
Nunca foi fácil para mim a relação com o sexo oposto, quase sempre precisei de tempo, de reflexão e principalmente de introspecção quando sinto não estar feliz a relação que desejo ter com o sexo oposto.
E assim aconteceu com a menina Valquíria Gondol, sei bem que não fui batalhador, sei bem que não fui conquistador, sei bem que não sou um bom exemplo do que supostamente um homem deve ser na fase da conquista e da corte. Não fui talhado para ser rei.
Preparei um jantar, fui aprender a dançar tango, escrevi e percorri ruas da nossa cidade para estar perto dela, com o sonho que ela me recebesse. Nunca quis receber-me e muito menos entregar a mim um pouco dela que sentisse verdadeiro, espontâneo e sentido.
Da menina Gondol apenas recebi sarcasmo e projectos de agressão.
E assim ausentei-me por uns tempos, fui estar presente noutros presentes, muito mais presente apenas e só a mim e não tanto ao sentimento que existia em mim projectado na imagem da Valquiria.
Agora volto apenas e só para me fazer ver vivo, aqui, neste espaço onde ainda assim sempre senti conseguir ser eu mesmo. Mesmo sabendo que a menina Valquiria frequenta também este espaço, mesmo sabendo que outras pessoas com o Senhor ElMauNitch, alguém por quem na verdade sinto um certo respeito medroso, também aqui vem e por isso também me lê e vê vivo. Mesmo sabendo que o facto de aqui vir poder resultar numa nova recaída nesta minha maneira tão ingénua por vezes de ser.
Arrisco, apareço.

1 opiniões:

ALMARIADA disse...

A ideia de que há segundos e décimas e centésimas de segundo a passar não ajuda nada a compreender o que é o presente e a presença... ;)

é preciso esquecer relógios e calendários, recordar a infância, por exemplo, quando ainda não nos tinham impingido essas tretas.