terça-feira
segunda-feira
domingo
No fim-de-semana, as coisas não são assim tão diferentes dos dias da semana. É verdade que não vai ao emprego, mas não é verdade que não trabalhe. É verdade que não almoça num café nem tem conversas fúteis e banais com as colegas, mas almoça em casa e vai ao café em frente à porta do prédio, ter conversas ridículas e inúteis com as vizinhas. É verdade que não tem que levar as filhas à escola, mas quase todos os fins-de-semana as tem que transportar, ou para casa do pai, ou a uma festa de um qualquer colega, ou a casa de um dos avós.
Ontem, sexta-feira, estava tão cansada e em baixo que recusou um convite de um casal amigo para jantar e em vez de um copo de vinho, bebeu três, e em vez de um comprimido, tomou dois. Conseguiu dormir até às nove e meia da manhã, acordou fisicamente mas sentia-se num limbo, deve ter sonhado toda a noite mas não se lembra.
Da sala vem a toda a velocidade e no quarto entra com toda a força, o som da televisão, os desenhos animados que em nada a animam, e a discussão das filhas sobre que canal ver.
Era tudo tão mais simples quando só haviam dois canais, sem escolha.
O dia amanheceu cinzento, promete chuva. Já tantas promessas ficaram por se cumprir na sua vida, tem a roupa da semana para lavar, e a mesma vai ter que secar para que ainda neste fim-de-semana seja passada a ferro, há uma semana inteira que vem aí.
Enquanto vivia com o ex. Marido, as finanças ainda davam para ter uma empregada uma vez por semana e para mandar engomar a roupa fora. Mas agora, com duas rendas para pagar, é completamente impossível, nem sequer há diálogo ou vontade.
É assim, pelos vistos o amor ou a falta dele também são factor importante para a hierarquia das classes sociais.
Levantou-se sem fazer barulho, ou tentou, é uma fugitiva dentro da sua própria casa, mesmo sem a presença dele, agora são as filhas, se a ouvirem a pé, uma grande quantidade de pedidos ordenados vão surgir na sua consciência, e ela, a consciência, não a vai deixar ficar leve, indiferente ou absorta a eles.
Não sabe dizer não, nasceu na classe média e nela sempre viveu. Se tem nascido pobre, muito cedo tinha aprendido, não posso, não tenho, não consigo. Já se rica tivesse surgido neste mundo, não quero, não gosto.
Aprendeu que no meio é que está a virtude, não consegue descobrir que virtude é essa, e existem dias em que deseja não ter virtude alguma, nem vergonha nenhuma, nem nada. Hoje o que ela mais deseja é o nada, mesmo que ainda o sinta como um pesado vazio, hoje é por esse vazio que suspira.
Mas não o pode ter.
Consegue tomar banho calmamente, sem ser interrompida. Apesar da vontade de se masturbar, não consegue se libertar da realidade que julga existir ao seu redor, e sempre que ao de leve lá toca, é no ex. Marido que pensa, isso dói-lhe, dá-lhe um sabor amargo na boca e humidade nos olhos. Desiste.
Apesar dos pesares, toma o seu banho e ele dá-lhe uma sensação de leveza e rejuvenescimento.
Sai da casa de banho e dirige-se para a cozinha, a finalidade é preparar algo para o seu pequeno almoço, pelo caminho ouve:
- mãe tenho fome
A leveza que ganhou no banho, dá-lhe forças para interagir com a realidade por impulso:
-acho que já sabes muito bem onde está a comida nesta casa e o que deves comer.
-não me apeteceu preparar
Questiona-se se já nascemos acomodados ao facto de estarmos vivos, o porquê de todos ao seu redor lhe parecem amorfos e sem iniciativa.
Prepara três sandes mistas com manteiga, com pão do dia anterior, que torra ligeiramente, faz um café e tira dois iogurtes do frigorífico.
Tudo em cima de um tabuleiro de plástico vermelho é transportado para a sala e chegando lá ouve a critica e o julgamento, uma não queria queijo a outra queria leite e não um iogurte. Já vive com a certeza que nunca nada, nem ninguém ao seu redor está ou no mínimo mostra-se satisfeito.
É a ela que nada satisfaz.
Uma imagem qualquer, que não consegue contextualizar e que lhe surge na consciência vinda da televisão, traz-lhe à memória o cão que vivia no largo onde ela viveu com os pais os primeiros doze anos da sua vida. Não recorda o nome do cão. Lembra-se da tristeza que sentiu quando mudaram de casa, para uma casa melhor, não era um rés-do-chão e era num prédio grande, novo, não tinha dois quartos, agora o pai podia ter um escritório e trazer trabalho para casa.
Ela, aos doze anos, perdeu a rua para brincar, o prédio grande e chique, ficava no que os pais chamavam de avenidas novas, essas novas avenidas eram largas e grandes e nelas não haviam miúdos de idade dela a brincar, muito menos segurança ou escala para sentirmos a rua como nossa, era simplesmente grande demais, de súbito, aos doze anos o mundo ficou enorme e ela começou a sentir-se cada vez mais pequena.
Nunca mais viu o cão, não se recorda do seu nome.
Ao menos o fim-de-semana tem isto, algum tempo para divagar por memórias aparentemente inúteis.
São onze da manhã quando o telefone toca. Do outro lado do auscultador a voz é a do ex. marido. Diz-lhe que não vai poder estar em Lisboa no próximo fim-de-semana, por questões de trabalho, dá-lhe uma razão sem ela lhe ter pedido nenhuma, pede-lhe para ficar com as miúdas neste fim-de-semana e não no próximo.
Se os tempos fossem outros ela decidia e as crianças obedeciam, hoje ela pergunta às filhas se têm vontade, hoje as crianças decidem, apesar de ter combinado com uma amiga ir para a praia no próximo fim-de-semana e talvez pernoitar pelo Meco.
Ao meio-dia a campainha toca, o ex. marido não sobe, as crianças descem e ela fica sozinha em casa, sem planos, só, com obrigações, sem objectivos, só, com o quotidiano, sem sonhos, só, com os seus próprios pesadelos.
sexta-feira
frases de Gabiru (1)
ela: sabes, estou numa fase que cada vez gosto mais de estar comigo!
Gabiru: como eu te compreendo, eu também cada vez gosto mais de estar contigo!
Abraçar a vida, saber aceitar o que ela te dá, e isto não é dizer: ficar resignado ou deixar de lutar, construir algo melhor.
Nunca deixar de procurar o sorriso mais sincero que existe dentro de ti, encontrá-lo e trazê-lo aos teus lábios e com eles olhar nos olhos do outro que contigo interage.
Observar tudo, dar atenção a todos, a tudo, ter consciência do máximo e saber aceitar o que és. Em cada momento que sentes que és.
Saber dizer não e conseguir dizer sim com vontade e prazer.
A única coisa importante é gostares de seres o que és.
O único desejo válido, é o desejo de continuares a gostar ser quem és, quando de súbito mudares, porque tudo está sempre a mudar e nada consegue se manter eterno, idêntico, no passar do tempo, e na vida que corre, quase sempre desgovernada.
Não existe governo para a vida, a vida não é uma ditadura nem uma democracia, nem um estado membro, a vida é energia e amor. E no amor não há leis nem regras nem ordem, no amor há, simplesmente.
“E afinal o que importa é por ao alto a gola do peludo, à saída da pastelaria, e lá fora rir de tudo, no riso admirável de quem sabe e gosta, ter lavados e muitos dentes brancos à mostra”
Afinal o que importa é sorrir.
Afinal o que importa é viver, viver intensamente, dar tudo o que tens e pôr tudo o que és naquilo que fazes e vives, de nada vale guardar, o guardado ganha mofo o vivido construí memória e ensina-te a viver algo mais.
"A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel
A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão"
e agora eu pergunto apenas duas coisitas, primeiro como é que a Rita deixou o violão mudo? será que roubou a inspiração ao rapaz? será que lhe partiu o violão na cabeça? segundo, se a Rita matou o amor de vingança, é porque alguma ele lhe fez, vingança de quê?
quinta-feira
We wanted to find love
We wanted success
Until nothing was enough
Until my middle name was excess
Somehow I lost touch
When you went out of sight
When you got lost into the city
Got lost into the night
I was in need of help
Heading to blackout
Till someone told me "run on in honey
Before somebody blows your goddamn brains out"
You shoplifted as a child
I had a model's smile
You carried all my hopes
Until something broke inside
But now
We float
Take life as it comes
We float
Take life as it comes
So will we die of shock?
Die without a trial?
Die on Good Friday?
While holding each other tight
This is kind of about you
This is kind of about me
We just kinda lost our way
We were looking to be free
But one day
We'll float
Take life as it comes
We'll float
Take life as it comes
But one day
We'll float
Take life as it comes
terça-feira
segunda-feira
sexta-feira
quinta-feira
Don't get any big ideas
they're not gonna happen
You paint yourself white
and feel up with noise
but there'll be something missing
Now that you've found it, it's gone
Now that you feel it, you don't
You've gone off the rails
So don't get any big ideas
they're not going to happen
You'll go to hell for what your dirty mind is thinking
Terá sido ontem o dia que vai ficar gravado na história, como o dia da morte da indústria discográfica? É possível que sim.
Também é verdade que uma banda como os Radiohead, com a carreira construída que já têm, com o número incalculável de fãs pelo mundo fora, onde me incluo. Na verdade nunca gostei muito de ser fã disto ou daquilo, sempre fui é mesmo do contra, mas em relação aos Radiohead, foi sempre mais forte a admiração pela sua música que o desejo de ser do contra. Ia eu a dizer que para uma banda como os Radiohead, é possível uma acção como a que tomaram ontem.
Por outro lado, para quem está a começar neste momento uma carreira, o difícil mesmo, pondo de parte a questão do talento e dor e do suor necessários para a criação e uma obra, é a divulgação. Todos sabemos que os artistas muito pouco ou quase nada ganham com a venda de CD’s e que os mesmos são primordialmente um meio de captar ouvintes para os espectáculos, e que o número de vendas de um determinado CD serve primordialmente aos artistas para que as rádios e televisões passem as suas músicas e assim paguem pelos direitos de transmissão. Assim, para quem começa, começar por vender a sua música na Rede ao preço que o cliente quiser pagar, parece-me a mim algo de muito inteligente, mata dois coelhos com uma cajadada só, por um lado aniquila com a industria discográfica e com o monopólio que sempre tiveram. Já pensaram quantos músicos fabulosos podem ter ficado pelo caminho apenas porque não conseguiram encontrar um editor com ouvidos? Por outro lado dá uma forte machadada na moda de puxar música da rede a torto e a direito, música que na maior parte das vezes não é ouvida sequer e à qual não se dá o devido valor e atenção.
Os Radiohead ao perguntarem ao publico quanto querem pagar pelo download do álbum, estão ao mesmo tempo a perguntar: Queres realmente ouvir?
E quem me conhece já me deve ter ouvido dizer que as opiniões são como os rabos, toda a gente tem uma, e quem quer dar, dá. A minha opinião não tem mais ou menos valor que as outras, mas como a quero dar… a minha opinião é que vale realmente muito a pena ouvir, mas nunca ouvir apenas uma vez. É mais um dos álbuns dos Radiohead que deve ser ouvido algumas vezes, que vai entrado em nós a cada audição, que deve ser ouvido da primeira à última música, de seguida. E mais uma vez provam a razão do porquê de não aceitarem vender músicas avulso em sites como o iTunes.
É claro que vai sempre existir aquela música, ou a outra, mas os álbuns dos Radiohead são um todo, uma história, um percurso de emoções; principalmente desde Ok Computer.
Ao longo do tempo e dependendo do meu estado de espírito ou do momento da minha vida, as minhas músicas especiais de cada álbum vão mudando. No Ok Computer foi durante muito tempo o No Surprises e o Karma Police, depois o Paranoid Android e hoje o Exit Music (For a Film) é a que me arrepia mais facilmente. Tem sido sempre assim com todos os álbuns deles.
Hoje, e depois de umas dez audições do In Rainbows, Nude, House Of Cards e Reckoner são os meus temas, mas Videotape ou Jigsaw Falling Into Place são lindos. As letras são fortes e para quem não percebe a dicção do Thom York, que é o meu caso, aqui fica um link, se é que já não conhecem.
Boas Músicas.
quarta-feira
Isto deixou-me a pensar um bom bocado, e continuo... :
1-"A compaixão está em contradição com as emoções tónicas, que elevam a energia do sentimento vital; a compaixão tem uma acção depressiva. Quando alguém se compadece, perde a força. Pela compaixão aumenta-se e multiplica-se o desperdício de energia que o sofrimento, por si próprio, já traz à vida." (Friedrich Nietzsche)
2-"A vida é negada pela compaixão, a compaixão torna a vida ainda mais digna de ser negada" (Schopenhauer)
3-"A maior ameaça à compaixão é a tentação de sucumbir às fantasias de superioridade moral. Estimulados pela efusão do altruísmo desinteressado que mostramos em relação aos outros, podemos começar a acreditar que somos seus salvadores. Surpreendemo-nos assumindo humildemente a identidade de alguém que foi escolhido pelo destino para curar as dores do mundo e mostrar o caminho da reconciliação, da paz e da iluminação. As palavras com que aconselhamos uma pessoa aflita imperceptivelmente se transformam em exortações à humanidade. As sugestões de um plano de acção que damos a um amigo convertem-se em cruzada moral" (Stephen Batchelor)


O meu já cá canta, até agora sinto o mesmo que senti em quase todos os albuns dos Radiohead, depois da primeira audição: isto é bom mas ainda não entrou como vai entrar um dia destes.
terça-feira
Encruzilhadas, palavra pela qual sinto uma especial atracção, uso-a muito, num poema um pouco mais atrás, neste blog, lá está ela.
Cruzamentos, esquinas.
Desde sábado que toca em repeat no meu carro a música do Jorge, que fala um pouco disto tudo, e da forma maravilhosa como ele escreve. Depois existe também a minha já mencionada paixão por comboios, e lá estão os pouca terra na música do Jorge também.
Mais os pianos, amigos de longa data.
Prometi-lhe não a “encavacar” mais. Gosto de tentar cumprir com as minhas promessas, mas odeio fazê-las, não gosto de prometer nada. O prometer tem a ver com o futuro, eu quero viver o presente, não me interessa saber o que vou fazer ou deixar de o fazer amanhã, interessa-me sentir e saber o que estou a fazer agora. E neste momento escrevo sobre a encruzilhada de ontem.
Vou reencontrar-te noutro bar de estação, pensei eu numa estação de comboios é claro, errado, reencontrei-te no bar da estação de serviço.
Podia ter saído do atelier mais cedo, ou mais tarde. Tanto tinha pouco trabalho para acabar com urgência, como tinha trabalho para desenvolver e adiantar. Sai às dezanove e um quarto (19:15).
Podia não ter ido dar um beijo às minhas sobrinhas e saber da vida delas, e podia apenas ter dado o beijo e ido embora, mas fiz cócegas e elogiei os ténis novos.
Podia não ter parado na estação de serviço para alimentar o depósito do carro, afinal de contas tinha gasolina para chegar ao meu destino, mas não tinha para voltar e ainda tinha algum tempo. Tinha combinado estar no bairro às nove (21:00), eram oito e pouco (20:…).
O cartão de Multibanco podia ter funcionado na porcaria da bomba, mas por mais vezes que tentasse, e também podia ter tentado só uma, a mentecapta da bomba só dizia: cartão ilegível.
Alimentei o depósito e fui pagar no interior da estação de serviço.
Estavam umas quatro (4) pessoas na fila, dois lugares à minha frente e na véspera de ser atendida, de costas para mim, estava uma mulher que me atraiu de imediato.
Deve ser linda, ela. Observo com mais atenção e de súbito caiu em mim. Não pode ser… ao chegar a sua vez consigo ouvir a sua voz e pronto, era mesmo ela.
Agora até mesmo sem a reconhecer ela me atrai e eu que lhe prometi que não a “encavacava” mais. Quer ser comigo aquilo que já é. Pelos vistos tem menos ambição que eu.
Cumprimentamo-nos, tento sorrir-lhe cá do fundo, mas se lhe prometi que não a “encavacava” mais, como é que lhe posso sorrir de outra forma que não a de quem se quer encruzilhar com ela.
E pelos vistos já somos dois a querer o mesmo, eu e o acaso. E logo agora que já tão raramente me sinto sozinho, o acaso decidiu acompanhar-me.
Disse-lhe de onde vinha, mas não lhe perguntei porquê. Na verdade já pouco me importa as minhas razões ou as razões dos outros. Quantas vezes procurei a razão? Quantas vezes senti eu, ter a razão? Tenho cá para mim que foram exactamente e matematicamente as mesmas vezes que sofri com as consequências.
Ela disse-me para onde ia, e foi.
segunda-feira
sábado
O carro continua no mesmo lugar onde o deixei ontem, é dentro dele que me sinto em casa, sou um nómada. Boa tarde, desculpe, sabe me dizer onde fica a Rua Teixeira de Pascoais? É perto do cinema King. A loja está fechada, não vou conseguir comprar a t-shirt.
Sigo para o bairro, vou ter com a minha prima. Paro na Fnac, vou comprar o Anticristo de Nietzsche. Não resisto, levo o ultimo CD do Jorge Palma.
Na auto-estrada quando começa a tocar a musica cinco, eu não levo cinco segundos a sentir que estava a chegar a mim, mais uma daquelas musicas do Jorge, que me arrepiam, que me trazem lágrimas aos olhos de emoção, é Bela.
Olá! Sempre apanhaste o tal comboio?
Eu já perdi dois ou três
Entre o ócio e as esquinas
Ganhei o vicio da estrada
Nesta outra encruzilhada
Talvez agora a coisa dê
O passado foi à história
Cá estamos nós outra vez
Conheço a tua cara, mas não sei o teu nome
Eu escrevo já aqui, não sei o quê, arroba-ponto-come
Vou-te reencontrar noutro bar de estação
Ou talvez quando perder mais um avião
O barco vai de saida, tu estás tão bronzeada
É tão bom ver-te assim, ardente,
Tão queimada
Eu quero reencontrar-te noutra esquina qualquer
Sem saber o teu nome ou se ainda és mulher
Quero reconhecer-te e beber um café
Dizer-te de onde venho e perguntar-te porquê
Sorrir-te cá do fundo, subir os degraus
Eu quero dar-te um beijo
A cinquenta e tal graus
Quero reencontrar-te noutra esquina qualquer
Sem saber o teu nome ou se ainda és mulher
Quero reconhecer-te e beber um café
Dizer-te de onde venho e perguntar-te porquê
Sirrir-te cá do fundo, subir os degraus
Eu quero dar-te um beijo a cinquenta e tal graus
Sempre apanhaste o tal comboio?
Já perdi dois ou três
Entre o ócio e as esquinas
Ganhei o vicio da estrada
Nesta outra encruzilhada
Talvez agora a coisa dê
O passado foi à história
Cá estamos nós outra vez
Cá estamos nós outra vez
quinta-feira
É uma associação de apoio social e pedagógico.
Tem por finalidade primeira, prestar apoio a todos os níveis às vítimas.
O segundo objectivo da associação é a realização de debates e cursos para atingir a finalidade de conseguir sobreviver às Ritas.
quarta-feira
Apesar dos pesares, e vamos lá de uma vez por todas perceber que pesares existem sempre, eu lá continuo a acordar bem disposto. Não me perguntem como ou porquê, eu cá não faço a mais pequena ideia de onde me vem esta alegria e esta energia que me faz acordar com um sorriso nos lábios à meses, e que me faz encarar a vida com bom humor, porque isto se não for para rir, é para quê? A vida é mesmo uma piada e tem imensa piada.
Hoje deixo aqui duas músicas, de que não gosto nada, que também me trazem algumas memórias, principalmente a do Lionel Richie, a minha irmã a ouvir esta treta que nem melodramática é, e a ouvir, e a ouvir, e a ouvir…. Já a do Stevie Wonder, foi com ela que conheci o senhor, hoje acho que é a pior musica que ele alguma vez compôs, existem outras de que gosto e dou-lhe valor.
Deixo aqui as duas, porque hoje me ajudaram a viver a minha vida com humor e bem disposto, que aliás é como a tenho vivido. Obrigado Música.
terça-feira
Existem musicas que marcaram a minha memória no passado, de uma forma tão concreta e intensa, que o tempo passa e sempre que as volto a ouvir, consigo sentir o mesmo que senti nesses momentos.
Estrada até Aljezur, ford fieta branco de dois lugares, vidros abertos, o Hugão ao meu lado, sempre com medo dos carros mas comigo nunca o senti muito stressado, hoje já anda no seu smart "à abrir". Férias grandes, amigos e o Alentejo todo por nossa conta, até ao Algarve para terminar na ilha de Tavira, sem horários, sem obrigações, apenas a vontade de estarmos juntos sem nada para fazer, praia, copos, discotecas manhosas, cartas, snooker, matraquilhos, tendas e parques de campismo, muita folia.
Esta musica vem sempre acompanhada da memória de estar no carro a descer para sul, com o Hugo ao meu lado e os dois a cantar, eu mais aos berros que ele.
BUT WE DON'T KNOW WHERE WE'VE BEEN
AND WE KNOW WHAT WE'RE KNOWIN'
BUT WE CAN'T SAY WHAT WE'VE SEEN
AND WE'RE NOT LITTLE CHILDREN
AND WE KNOW WHAT WE WANT
AND THE FUTURE IS CERTAIN
GIVE US TIME TO WORK IT OUT
We're on a road to nowhere
Come on inside
Takin' that ride to nowhere
We'll take that ride
Feelin' okay this mornin'
And you know,
We're on the road to paradise
Here we go, here we go
We're on a ride to nowhere
Come on inside
Takin' that ride to nowhere
We'll take that ride
Maybe you wonder where you are
I don't care
Here is where time is on our side
Take you there...take you there
We're on a road to nowhere
We're on a road to nowhere
We're on a road to nowhere
There's a city in my mind
Come along and take that ride
and it's all right, baby, it's all right
And it's very far away
But it's growing day by day
And it's all right, baby, it's all right
Would you like to come along
and you could help me sing this song?
And it's all right, baby, it's all right
They can tell you what to do
But they'll make a fool of you
And it's all right, baby, it's all right
[x2]
We're on a road to nowhere
segunda-feira
sexta-feira
"Não é o ângulo recto que me atrai
nem a linha recta, dura, inflexível,
criada pelo Homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas
do meu pais,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da Mulher preferida.
De curvas é feito o universo.
O universo curvo de Einstein"
Oscar Niemeyer
quinta-feira
Existem autores e algumas músicas desses autores, que mexem comigo de uma forma intensa, tão intensa que nem sei explicar o como e muito menos deduzir o porquê.
Nick Cave é um desses autores, comecei a ouvi-lo com mais atenção no Murder Ballads, já conhecia mas nunca lhe tinha dado a devida atenção. Com esse álbum a minha relação com a sua música mudou, dai para a frente fui dar atenção aos seus álbuns anteriores e sempre que um novo aparecia, ouvia-o.
Há algum tempo atrás encontrei um cd triplo B-Sides And Rarities, comprei logo, tem algumas músicas repetidas de outros cd’s e tem realmente algumas raridades divinais, como uma versão de Rainy Night In Soho dos Pogues, magistral.
Neste post faço a minha singela homenagem a uma música dele que adoro e que me faz lembrar algumas mulheres morenas, de cabelo negro, que conheço. Como adoro comboios a música ainda é mais bela para mim, fico a imaginar a beleza e profundidade das mulheres morenas e maravilhosas que conheço, no comboio.
É uma música triste, sem dúvida, sobre a despedida de um amor intenso. Mas é de uma beleza extrema e talvez seja por isso que sou incapaz de a ouvir sem me arrepiar.
Last night my kisses were banked in black hair
And in my bed, my lover, her hair was midnight black
And all her mystery dwelled within her black hair
And her black hair framed a happy heart-shaped face
And heavy-hooded eyes inside her black hair
Shined at me frome the depths of her hair of deepest black
While my fingers pushed into her straight black hair
Pulling her black hair back from her happy heart-shaped face
To kiss her milk-white throat, a dark curtain of black hair
Smothered me, my lover with her beautiful black hair
The smell of it is heavy. It is charged with life
On my fingers the smell of her deep black hair
Full of all my whispered words, her black hair
And wet with tears and good-byes, her hair of deepest black
All my tears cried against her milk-white throat
Hidden behind the curtain of her beautiful black hair
As deep as ink and black, black as the deepest sea
The smell of her black hair upon my pillow
Where her head and all its black hair did rest
Today she took a train to the West
Today she took a train to the West
Today she took a train to the West
O dia começou mesmo bem, até me emocionei.
Levantei-me, tinha uns livros e uns filmes para levar para o carro e por isso fui buscar outra mochila, maior. Quando a abro, encontro um bloco que me acompanhou durante um ano da minha vida e que já tinha dado como irremediavelmente perdido.
Um bloco que me acompanhou de Setembro de 2006 até Julho de 2007.
Nele existe um encontro profundo comigo, provavelmente como nunca tinha tido até então.
Nele está a aceitação e o largar do amargo do final de uma suposta relação amorosa.
Nele está o aparecimento da paixão, o que escrevo para a minha musa.
Nele, estão ideias soltas desconcertantes. Conversas de café que ouço. Receitas contra a insónia. O conto da caixa, ou a primeira versão dele. O conto do filho do bom homem, ou a primeira versão dele.
Muita paixão. Muita poesia escrita por me sentir apaixonado.
Ainda alguma mágoa que por vezes volta mas que é sempre menos forte ou importante.
Algumas citações, principalmente de Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa.
Musica que procuro, livros que quero ler, filmes que me aconselham.
Alguns desenhos, mas poucos, desenhei pouco nesse ano e só agora no bloco novo estou a voltar a desenhar.
Uma lista de perguntas que queria fazer à anaBela.
O aparecimento do Sr.Grisalho.
Nele está a construção e fortalecimento de algumas relações de amizade, uma em especial.
Hoje o dia começou mesmo bem, ainda tinha alguma tristeza por ter perdido este bloco, e agora encontrei-o, só por isso abro o meu bloco ao acaso e transcrevo para aqui um pouco:
Primeiro entras e tiras os sapatos
Descalça sinto-te mais próxima
Sentas-te, cruzas as pernas
Por vezes deixas-me encruzilhado
Fechas os olhos, respiras
E eu sonho ser o ar que inspiras
Um dia sorriste
E agora…
A beleza invadiu o meu dia.
quarta-feira
Hoje sinto-me muito mais leve do que ontem, as coisas agora, sinto-as no seu lugar, tudo está a ficar arrumado.
Ontem ainda acordei com um sabor amargo na boca, sentimentos guardados dentro de mim, sem os conseguir gritar ao vento. Quando os verbalizei, voaram para fora de mim.
Era como se tivesse sempre duas cores dentro mim, o vermelho da paixão que sinto e o azul acinzentado que conseguia mostrar.
Perguntava-me, mas afinal o que quero dizer? E afinal será que ela quis dizer outra coisa com o que disse realmente?
Perguntas e mais perguntas nunca feitas e sempre sem resposta, apenas mais suposições, apenas mais hipóteses, apenas mais ilusões, apenas mais projecções.
Hoje está tudo no seu lugar.
Ontem acordei a chupar um limão
Hoje sinto-me livre, de ser vermelho, de ser azul.
Tenho um arco-íris dentro de mim.


terça-feira
Esperei algum tempo por uma resposta tua, sem nunca ter feito a pergunta.
Deduzi muitas vezes o teu sentir, sem nunca te ter sentido.
Sonhei a dormir e acordado com o contrário do óbvio.
Felizmente não alimentei o sonho nem a expectativa.
Afastei-me de ti para ser mais fácil aceitar a realidade dos factos.
Mas tu guardas em ti uma beleza que me encharca.
Quando voltei a me aproximar…
Voltou o encantamento sobre o desconhecido que guardas.
Mas desta vez, apesar de ter voltado a não perguntar,
Apesar de ter voltado a não sentir
Apesar de ter voltado a sonhar.
Tu respondeste.
Mas desta vez foi mais duro, foi melhor.
segunda-feira
sábado
quinta-feira
Continua a ser fácil encontrar a felicidade, como em criança. Muitas vezes basta ter duas meninas a olhar para mim e por perto, sou narciso e gosto de ser observado, tanto quanto gosto de observar. E ter duas garrafas na mão. Assim também eu tenho um sorriso nos lábios e caminho confiante.
Elevar Seio Sul Um
Elevar Eu Sim Luso
Ela Livre Seu Sumo
Ela Museu Se Livro
Leal Esse Ouvir Um
Leal Rei Museu Vos
Leal Resumo Se Viu
Lesma Livre Eu Uso
Suave Rei Mel Luso
quarta-feira
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Que bobagem! as rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
Ah! Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhar os meus sonhos
Por fim
terça-feira
by Barlow / Rhodes
One day I met a precious soul
Who's words had touched my heart
His poetry resounded so
It tone my soul apart
But when I tried my thoughts to speak
Emotion made my mind so weak
And time stood still for years and years
I bathed him in my tears
I cried, I tried
Tears of joy tears of pain
I cried, I cried
Tears of love again and again
Some people turn to pills and things
To help them throught the day
To take them up or down or just
To ease the blues away
But me I really want to feel
The ups and downs of life so real
Happy or sad emotions reign
My tears flow just the same
I cried, I tried
Tears of joy tears of pain
I cried, I cried
Tears of love again and again
I cried, I tried
Tears of joy tears of pain
I cried, I cried
Tears of love again and again
Gonna turn so completely I leave no trace
Through so many out there would laugh in my face
For wearing emotion so close to the skin
Condamn me they might it to love's such a sin
I cried, I tried
Tears of joy tears of pain
I cried, I cried
Tears of love again and again
I cried, I tried
Tears of joy tears of pain
I cried, I cried
Tears of love again and again
sexta-feira
quarta-feira
quinta-feira
Não tenhamos duvidas, nem tão pouco vale de muito acreditar, e perder tempo a sonhar que somos capazes de mudar o mundo é inútil. Se continuarmos a entender essa realidade chamada de mundo, como algo que nos rodeia, ou que nos enclausura, ou que nos contem.
É errado, não é o mundo que te contem, és tu que conténs o mundo e todo o teu mundo existe é dentro de ti.
Não vais conseguir mudar a cor do céu, de nada te vale desejar alterar a forma dos olhos do outro que amas. Não nos é possível mudar os outros, apenas conseguimos nos mudar a nós mesmos, mesmo partindo do principio obvio de que tudo está em constante mudança. Não controlas ou direccionas essa mudança, apenas consegues influenciar a mudança que ocorre em ti.
Agora, se entendermos que o mundo todo existe em nós, e se conseguirmos direccionar a mudança que acontece em nós, estamos imediatamente a mudar o mundo.
Ao nos mudarmos a nós mesmos, ao nos darmos e mostrarmo-nos mudados ao outro, vamos sempre, no mínimo, insinuar ao outro uma nova realidade, um novo caminho, uma mudança.
É também isto que construi o amor, é também isto que ajuda a fortalecer uma relação amorosa.
Quantas pessoas conhecemos e já ouvimos queixarem-se do outro que dizem amar? Ele não demonstra amar-me, ele é tão ciumento, ele só trabalha, se ele fosse menos ou se ele fosse mais, se ele fosse assim ou se ele fosse de outra forma qualquer. Continuamos a sonhar mudar o outro e muito raramente encontramos alguém que queira se mudar a si mesmo. Enquanto continuarmos a desejar muito mais receber do que dar, vamos estar todos a caminhar a passos largos para a solidão, profunda solidão.
A minha experiência mostra-me isto mesmo, quantas pessoas à minha volta, sobretudo as que me amam profundamente e já o demonstraram claramente, demonstraram também ao longo do tempo, preocupação comigo, com a minha tristeza, com a minha dependência, com o meu apego profundo e feito de desapegos claros. No dia em que decidi olhar para mim mesmo, mudar o que não gostava em mim, mudar o meu mundo interior, mudar o mundo onde vivo e depois partilhar essa mudança, esse novo eu, esse novo mundo, com os que amo; um novo mundo, um mundo novo surgiu ao meu redor e dentro de mim e nos olhos dos que amo. Um mundo maravilhosamente novo surgiu vertiginosamente em mim.
Eu já mudei um pouco o mundo.
quarta-feira
terça-feira

quarta-feira
sexta-feira
quinta-feira
quarta-feira

I lost myself on a cool damp night
Gave myself in that misty light
Was hypnotized by a strange delight
Under a lilac tree
I made wine from the lilac tree
Put my heart in its recipe
It makes me see what I want to see
And be what I want to be
When I think more than I want to think
Do things I never should do
I drink much more that I ought to drink
Because it brings me back you
Lilac wine is sweet and heady, like my love
Lilac wine, I feel unsteady, like my love
Listen to me... I cannot see clearly
Isn’t that she coming to me nearly here?
Lilac wine is sweet and heady where's my love
Lilac wine, I feel unsteady, where's my love
Listen to me, why is everything so hazy
Isn’t that she, or am I just going crazy, dear
Lilac wine, I feel unready for my love



terça-feira
"Humbert: life is very short.
Between here and that old car outside are 25 paces
Make them, now, right now.
Come away with me now, just as you are.
Lolita: You mean you'll give us the money only if i go to a hotel with you?
Humbert: No, you've got it all wrong.
I want you to leave your husband and this awful house.
I want you to live with me and die with me and everything with me.
Lolita: You must be crazy.
Humbert: no, I’m perfectly serious, Lo. I've never been less crazy in all my life.
we'll start afresh. We can forget everything that has happened.
Lolita: No, it's too late.
Humbert: No, it's not too late.
Lolita: Keep your voice down.
Humbert: don't tell me it's too late, because it's not.
If you want time to think, that's all right because. I’ve waited already for three years and I can wait for the rest of my life if necessary.
You're not giving anything up, there's nothing here to keep you.
All right, this man is married to you, but that's purely incidental.
It was an accident that you met him in the first place.
You're not bound to him, where as you are bound to me by everything that we have lived through together, you and I.
Lolita: I’m going to have his baby in three months.
Humbert: I know.
Lolita: I’ve ruined too many things in my life.
I can't do that to him, he needs me.
come on now, don't make a scene.
stop crying! He can walk in here at any minute.
will you please stop crying?
Humbert: There are no strings attached it's your money anyway it comes from the rent of the house. there's $400 in cash.
Lolita: four hundred dollars!!
Humbert: I’ve made out a check here for $2,500.
Lolita: $2,500
Humbert: there's someone in Ramsdale who's prepared to take care of the mortgages on the house and make a down payment of $10,000. Here's the papers
Lolita: you mean we're getting $13,000?
that's wonderful!
come on now, don't cry.
I’m sorry.
try to understand.
I’m really sorry that I cheated so much but I guess that's just the way things are.
where are you going?
Listen!! Let's keep in touch.
I’ll write to you when we get to Alaska."


segunda-feira
sexta-feira
Eu tenho medo de tudo, porem.
Uns sabiam que nada sabiam,
Eu não sei o que sabia ou não sabia.
Mas sei aquilo que sei,
Hoje, sei que quando caminho, piso o chão.
Eu sinto tudo
E as tuas asas são brancas
Afinal sou eu que quebro o meu coração
Tu, quem me segura a mão, que abraço.
Vamos voar, é que hoje eu sinto tudo
E o mundo é redondo.
Vamos entrar neste carrossel
Não importa se a verdade mente
Que força tem o cansaço?
Esquece o depois, olha-me nos olhos.
A razão não se tem, nem se encontra
Sente-se apenas.
Sorri, o teu olhar ilumina o meu caminho
Ou outra coisa qualquer, nada importa.
Quando sorris e olhas para mim.
Afinal o tempo pára
O espaço apesar de infinito, é circular
Conduz-me sempre ao mesmo lugar.
O teu olhar.
I feel it all I feel it all
I feel it all I feel it all
The wings are wide the wings are wide
Wild card inside wild card inside
Oh I'll be the one who'll break my heart
I'll be the one to hold the gone
I know more than I knew before
I know more than I knew before
I didn't rest I didn't stop
Did we fight or did we talk
Oh I'll be the one who'll break my heart
I'll be the one to hold the gun
I love you more
I love you more
I don't know what I knew before
But now I know I'm wanna win the war
No one likes to take a test
Sometimes you know more is less
Put your weight against the door
Kick drum on the basement floor
Stranded in a fog of words
Loved him like a winter bird
On my head the water pours
Gulf stream through the open door
Fly away
Fly away to what you want to make
I feel it all, I feel it all
I feel it all I feel it all
The wings are wide, the wings are wide
Wild card inside, wild card inside
Oh I'll be the one to break my heart
I'll be the one who'll break my heart
I'll be the one who'll break my heart
I'll end it thought you started it
The truth lies
The truth lied
And lies divide
Lies divide
segunda-feira
terça-feira
quinta-feira
Bloco novo, ou post novo, a escrita de sempre, que evolui e volta atrás para resgatar ideias e sentimentos vividos no passado, para os contextualizar numa nova realidade e forma de sentir, e assim crescer dentro de mim e comigo, aprendendo a ser o que vou sendo na vida. Na mudança. E como é boa esta nova aceitação que existe em mim sobre a mudança.
Sou todos os dias diferente daquilo que fui, vivo na maravilhosa perplexidade do desconhecido, que vou no constante do sempre desvendando, estou vivo e melhor, sinto-me vivo.
Mas para não restarem duvidas, que fique claro hoje, tenho consciência das variadas situações ou dos inúmeros acontecimentos ou dos prodigiosos abismos por onde caí no meu passado e dos quais ainda não consegui submergir plenamente. Também eu tenho os meus novelos de lã entrelaçados que muitas vezes geram conflitos interiores difíceis de aceitar ou gerir.
Mas vou tentando, principalmente hoje sinto que de nada vale tentar encontrar o limite da dor, lá no fundo. A dor não tem fim, se fores à sua descoberta para baixo, o fim da dor está sempre aqui, aqui em cima e é sempre para cima e para a frente que devemos olhar e caminhar.Levanta os olhos do alcatrão, observa o horizonte que te rodeia, vive a tua vida. É nesse lugar que está o fim da dor.
domingo
Veste-o para mim, quero ver-te vestida com ele. Não te quero ver nua, de nada. Quero ver-te calçada com os teus pés, sentir-te vestida com as tuas ancas, se precisares ajuda para apertar as costelas junto à coluna vertebral, estou aqui. Mas quero ver-te por inteiro, vestida com o teu corpo, contentor mararvilhoso, do ser sublime que és. Não o dispas por favor. Entrega-te a ele, comigo.
Os teus seios, redondos, irmãos gemeos, falsos, asimétricos. Que juntos, apertados, formam uma linha recta, vertical, que cruza um semi-circulo, que ambos formam juntos e que termina por debaixo das tuas axilas, limpas, frágeis. que por sua vez são as parte inferior dos teus ombros, brancos, singelos. Ombros esses que sustêm os teus braços, batutas de uma musica enebriante, o teu falar.
lá fora o vento trás consigo umas pequenas gotas que soam no chão, e lembro a tua voz, em qualquer escala, afinada.
És uma aria, uma partitura, uma obra prima, um ser que desejo tocar, qual piano branco e preto, de madeira, quente.
És um ser vivo que respira, caminha e na minha realidade tangivel e imaginária vagueia.
O nosso toque vai ser arte.
Veste-o para mim.
sexta-feira
quinta-feira
quarta-feira
Não faz muito tempo, alguns posts abaixo, escrevi que tinha O concerto da minha vida. Ontem a vida presenteou-me com outro. Ofereceu-me a pluralidade. Agora tenho dois concertos da minha vida.
Por melhor que tente escrever, não tenho capacidade para tanto. Não consigo simplesmente colocar em palavras o que senti ontem.
A felicidade atingiu climax's estonteantes e nesses momentos, quando conseguia olhar para o palco e para quem nele dava tudo de si, pela arte, pela partilha, pela mensagem, no fundo pelo Amor; via alguém tão ou mais feliz que eu.
Gostei de todos os concertos que vi ontem: Klaxons, The Magic Numbers, Bloc Party e ARCADE FIRE.
Mas Arcade Fire é definitivamente algo muito especial, em palco são inadjectiváveis, talvez notáveis, quem sabe brutais, e porque não geniais. Wim Butler canta, e grita, e fala com uma sinceridade e uma força interior que é contagiante. Régine Chassagne troca de instrumento, salta do acordeão para a bateria, passa pelo teclado, canta lindamente, está constantemente a penetrar em ti. E é linda a cachopa, é daquelas pessoas que tem uma beleza interior tão grande que ela extravasa para todo o lado.
Não contei, mas fiquei com a sensação de terem estado umas vinte pessoas em palco, a criar, ali, em directo.
Foi grandioso, tenho a certeza que ainda durante muito tempo vou escrever sobre este concerto, os pingos que do céu cairam durante o Wake Up, como que para lavar a cara ao acordar. Eu sei lá... fiquei completamente sem palavras.
LINDO.
segunda-feira
Um dia acordou e existia algo novo dentro de si. Apesar de sentir-se cada vez mais afastado da realidade que observava e o rodeava, apesar disso ou quem sabe, devido a isso, sentia-se cada vez mais perto de si mesmo. Ele era a novidade que existia dentro de si, nesse dia em que acordou.
Ganhou uma honestidade consigo que nunca tinha sentido antes.
E por momentos ainda lhe doia.
Ainda lhe doia a incapacidade de partilhar isso contigo, como sonhou um dia, e sonha.
E por momentos ainda lhe doia, o outro não ser a pessoa com que continuava a sonhar, o seu sonho narciso.
Fez mais de trinta anos que sonhou contigo, e já algumas vezes pensou ter-te encontrado. Teve essa ilusão, foi a felicidade e o encantamento que encontrou.
Até acordar vivia o presente descrente.
Era cada vez mais difícil acreditar que podes ser tu, essa pessoa.
Nada era, mas isso doia-lhe, logo, não era o nada, era a dor, a dor que sentia por nada sentir, por se sentir nada.
Se não fosse só ele a existir aqui, pensava, antes de realmente existir. Se tu existisses também aqui, sentia, antes mesmo de conseguir acordar, para além do sonho, para além da realidade.
E se a realidade existisse? e se fosse feliz? sem o sonho, e se conseguisse por uma vez, pelo menos uma vez na sua vida, sonhar com algo completamente irreal ou sonhar acordado.
Era o desejo a infectar o seu sonho e a sua realidade. não encontrou forças nem maneira de terminar com esse desejo que o perseguia, que o acompanhva sempre, desde sempre, em qualquer lugar. Esse desejo profundo de te encontrar ou de ser encontrado por ti, por ti meu Amor, meu Amor eterno, de sempre, desde sempre.
E não era apenas o desejo que existia nele, era a expectativa também, cada vez maior, qual bola de neve. Que a cada desilusão aumentava.
E era o medo, um medo terrível de que a vida fosse apenas e nada mais que uma sequência finita de desilusões, ou que o seu sonho fosse sempre maior que a realidade, logo irrealizável.
Era o outro que não conseguia abraçar e aceitar ou mesmo observar, o outro como ele é.
Era essa imensa vontade de criar e ver poesia em tudo o que existe em si e ao seu redor.
É a beleza que o persegue. E com tanta facilidade vislumbra, mas não a conseguia sentir e viver.
Era esse ser, que sempre parecia acompanha-lo e complicar tudo. E todos os que chegavam perto, afirmavam ser complicado. E que existia em si.
Era o egocentrismo de só conseguir estar centrado no seu ser, no seu pensamento, no seu sentir, sentir narciso.
Mas não só a dor existia na sua vida.
Muitas mudanças boas foram acontecendo, e ele foi conseguindo senti-las, até sentir que tinha acordado. De um pesadelo brutal que tinha durado um tempo indeterminado.
Hoje é uma pessoa com facilidade no carinho, carinhoso, quando abraça não toca apenas, sente o corpo do outro, recebe o seu calor e consegue dar.
Já não mente a si mesmo, já não mente sobre a mentira ou a verdade, para confirmar uma afirmação anterior.
Já não tem pavor em assumir e mostrar os seus erros, ainda que continue a sentir-se um ser especial. Mas hoje é verdadeiramente especial para si mesmo, sem a necessidade da comparação.
Nos primeiros instantes, depois de acordar, ainda se questionou se não seria um problema de percepção, da sua percepção. Achou provável.
Depois sentiu o redondo vocábulo, Amor.
Quando consegues abrir-te à vida
Abraçar a beleza existente nela
Tudo ao teu redor és tu
Ficas completo
Existes.








