quarta-feira




Nós aqui éramos donos do comboio, da Europa…
Nós aqui amamo-nos até não mais, éramos um só.

Aqui era o nosso mundo, aqui acontecia tudo.

Todas as cidades que passamos em que as recordações estão longe…

Mas lembro-me de nós, lembro-me como estávamos agarrados uma ao outro, lembro-me quando desapareceste e fiquei no Museu D'Orsay e tu de surpresa foste ao Pompidou para comprar um livro que tinha adorado, lembro-me destes pormenores, lembro-me do americano do tango que nunca percebemos se estava a fazer a mim ou a ti, lembro-me daquela escola onde dormimos em Praga, lembro-me das nossas multas do metro em Praga e Budapeste, lembro-me do relógio. Lembro-me que quando estávamos na viagem a passar pela Eslovénia um homem ter-te posto fora do comboio e eu a ver o comboio a partir e tu a ficares, lembro-me do TGV, lembro-me da chuva de Amesterdão, daquelas esculturas de areia e do quentinho, lembro-me do "ooooo lálá", lembro-me do "very good panorama" em Budapeste. Lembro-me de Cracóvia daqueles restaurantes subterrâneos, dos pimentos coloridos. De Auschwitz, que nem demos pelo tempo passar de tão aparvalhados que estávamos com tudo aquilo e no final estar um pôr de sol maravilhoso! Lembro-me de termos perdido o autocarro de Auschwitz para Cracóvia e apanharmos um taxista que passou a viagem a falar do Benfica! Lembro-me de encontrar-mos um dicionário Polaco - Inglês de tão desesperados estar por eles não nos perceberem…

Lembro-me da despedida, lembro-me quando chegamos à carruagem portuguesa de Irún - Lisboa e tínhamos uns belos rissóis de camarão com arroz de cenoura e uma sagres e que bem nos soube!

Todas estas recordações que fui tendo lembro-me de todos os nossos sorrisos e desesperos, é bom recordar o que fica…

segunda-feira





Odeio-te.
Odeio o teu cheiro que se entranha nas minhas narinas e não desaparece facilmente, tornando-se incómodo.
Odeio o teu espreguiçar, principalmente quando rasgas um sorriso tímido.
Odeio os teus olhos semi-cerrados em tom de sedutor.
Odeio a maneira como passas a mão pelo teu cabelo.
Odeio a tua voz cheia de ritmo e meio profunda.
Odeio os teus olhos penetrantes e as tuas longas pestanas.
Odeio as curvas do teu dorso.
Odeio como te vestes despreocupadamente, mas mesmo assim estás sempre bem.
Odeio os teus ténis sujos e as tuas calças apertadas.
Odeio as tuas escolhas musicais.
Odeio a maneira como mexes o chá e respiras o ar puro das árvores com ar de satisfação.
Odeio a tua vida boémia, e as danças parvas que fazes.
Odeio ouvir o teu riso lá de longe quando estou a beber café com os meus amigos.
Odeio essa tua cara de menino grande.
Odeio o teu andar acelerado e o teu andar calmo.
Odeio o teu humor sarcástico.
Odeio quando me fazes rir.
Odeio todos os teus pormenores físicos, psicológicos, interiores e exteriores.
Odeio o sabor dos teus beijos longos.
Odeio os teus abraços apertados.
Odeio sentir a tua respiração forte e descontroladamente suave quando te digo que te amo.




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Jorge Palma - Passos em Votla

Quando o sol chegou aos subúrbios da cidade
Anunciando mais um dia igual aos outros
Ele acordou e pressentiu
Que hoje o seu dia ia ser diferente
Sentiu nos lábios o sabor
Dum sorriso finalmente triunfante
Escorregou da cama
E contemplou o espelho sorridente
Acabou-se a incerteza dos seus passos em volta

De um sentido que ele nunca encontrou
Pela primeira vez tinha o destino nas mãos
Desta vez ele não duvidou
Sentiu-se invadir por uma estranha lucidez

Que o conduzia pelas calhas do passado
Serenamente descobriu
Que afinal tudo tinha o seu sentido
Levou o olhar á janela
Lá em baixo a rua estava abandonada
Levantou o fecho
E de repente alcançou a liberdade
Acabou-se a angústia dos seus passos em volta

Dum amor com que ele apenas sonhou
Pela primeira vez tinha o futuro nas mãos
Abriu a janela e voou

sexta-feira





Manual de instruções para crimes banais. Se queres aprender a matar uma pessoa, não percas este filme.

Indo eu, indo eu,
A caminho de Viseu,
Indo eu, indo eu,
A caminho de Viseu!
M
Encontrei o meu Amor,
Ai Jesus, que lá vou eu!
Encontrei o meu Amor,
Ai Jesus, que lá vou eu!
A
Ora zus, truz, truz
Ora zás, trás, trás
Ora chega, chega, chega
Ora arreda lá pr’a trás!
U
Indo eu, indo eu,
A caminho de Viseu,
Escorreguei, torci um pé,
Ai que tanto me doeu!
R
Ora zus, truz, truz
Ora zás, trás, trás
Ora chega, chega, chega
Ora arreda lá pr’a trás!
A
Vindo eu, vindo eu,
Da cidade de Viseu,
Deixei lá o meu Amor.
O que bem me aborreceu!
BEIJOS
Ora zus, truz, truz
Ora zás, trás, trás
Ora chega, chega, chega
Ora arreda lá pr’a trás!

Funny Games, em português foi o Brincadeiras Perigosas. Vi este filme sem fazer a mais pálida ideia do que ia ver. Numa tarde de fim-de-semana, daquelas em que não sabes muito bem o que te apetece fazer, fui ao cinema com o meu amigo Hugo. Fomos ver este filme e ainda hoje me lembro do estado em que saímos da sala de cinema, cheguei a assustar-me quando à porta do cinema olhei para o cartaz do filme e vi a cara de um dos actores.
Um filme violento, que fala sobre a psicopatia, é a história de dois rapazes que matam pelo prazer de matar. Na verdade o filme mostra muito poucas cenas de violência física, mas como disse o realizador numa entrevista que vi depois de ter visto o filme, por mais sofisticadas ou bem realizadas que fossem as cenas de violência física, elas nunca seriam tão violentas como possibilitar, encorajar e permitir ao espectador, imaginar essas cenas.

quinta-feira

Morangos Silvestres, foi o primeiro filme que vi do realizador Ingmar Bergman, é um filme fabuloso que nos fala da realidade, do sonho e da memória.
Começa praticamente com esta cena onde o personagem principal sonha com a sua morte. O filme é uma viagem pelas memórias deste personagem, pelo seu passado, e pela forma como ele vê e revive o seu passado. Magistral.



Persepolis, estreia em Portugal no dia 14 de Fevereiro. Um filme de animação baseado numa banda desenhada de uma autora nascida no Irão.
Estou muito curioso para ver, nunca fui grande adepto do género da animação, mas nos últimos anos tenho visto alguns filmes que tenho gostado muito, assim começo a sentir que este vai ser mais um.

Mais um dos dias em que o diabo saiu à rua


A erupção mais intensa do Vesúvio ocorreu no dia 24 de Agosto do ano de 79, quando o vulcão entrou em erupção e a lava quente cobriu as cidades de Pompeia e Herculano com uma camada de dois metros de espessura. Em seguida, o vulcão lançou cinzas e pedras que formaram outra camada de dez a quinze metros. Entre 20 mil e 30 mil habitantes morreram sufocados pelas cinzas ou sob os tetos das casas que desabavam.
Os documentos históricos dizem que a tragédia do ano 79 aconteceu num tempo relativamente curto. A erupção começou às 13h de 24 de Agosto, quando o Vesúvio expeliu uma nuvem super aquecida. Doze horas depois, com a erupção já teriam morrido milhares de pessoas

Era terça-feira, estava uma manhã cheia de nevoeiro. 8:00 são os números no relógio, pinnnnn é o som no despertador.
Acordou, Luís acordou de mais uma noite, de mais um sonho, de mais um pesadelo.

Já não aguento mais, todas as noites é isto, sonho com isto há meses, sonho todas as noites com o mesmo, este pesadelo persegue-me, preciso saber se mais alguém tem este pesadelo, preciso saber se alguém sofre como eu, preciso saber se posso partilhar isto com alguém, preciso saber se não sou o único, preciso de algo rapidamente.
O Telefone.
É vermelho finalmente, ainda há pouco era preto, cinzento, escuro. Agora é vermelho, reflecte o meu espaço, cheio de luz.

Neste momento o telefone parecia-lhe realmente vermelho, tinha uma forma equilibrada, parecia fácil de utilizar, estava sem pó, resplandecia luz. O auscultador era leve, não pesava nada, onde ponha a orelha era um sítio cómodo, quando lá encostava o ouvido, não era mais preciso segurar o telefone, ele ficava a flutuar na atmosfera. Por onde falava, era um ouvido aberto, era como que um amigo que está sempre presente quando é preciso, estava lá sempre pronto a ouvir tudo o que lhe queríamos dizer, por onde Luís ouvia, agora, sabia que iria sempre ouvir resposta, nunca o silêncio, nunca a indiferença. O auscultador agora auscultava a dor.

Vou telefonar a alguém.
Tenho que contar este pesadelo que me persegue, a alguém.
Tenho que tornar de alguma forma pública a minha dor.
3230808, impedido.
4318888, …, …, está a chamar…

- Está?
- Está, Hugo?
- Sim, quem fala?
- Sou eu o Luís, acordei-te?
- Não, …, fala.
- Preciso falar com alguém, acordei agora, mais uma vez tive um pesadelo que tenho, há messes, já não aguento mais, preciso contá-lo a alguém, estou cansado de o guardar para mim, queres ouvir?
- Calma meu, fala, é só um pesadelo.
- Não é isso, é grave, não é só um pesadelo, é a minha vida, durmo quase metade da minha vida e, então, passo metade da minha vida a viver este pesadelo horrível, e a outra metade a tentar não me lembrar dele, sem nunca conseguir esquece-lo. Estou cansado, estou farto, nada do que faço quando estou acordado me faz esquece-lo de vez, quando estou com vocês apenas consigo não lembra-lo por uns momentos, depois ele volta sempre, às vezes volta mais forte.
- Calma, queres que eu vá ai?
- Não, isso demorava tempo, já não tenho tempo, quero contar-to já.
- Força.
- Imagina um corredor no nada, é mesmo um corredor no nada, não vês o fundo do corredor, nem o inicio. Esse corredor por vezes tem algumas janelas mas as janelas apenas mostram imagens do meu passado. Todas as janelas que tento abrir não consigo, fico apenas como espectador do meu passado a passar. São sempre imagens felizes, são sempre imagens de momentos felizes do meu passado, mas que agora já não posso viver, apenas observar, por vezes eu apareço nessas imagens, ou pelo menos penso que sou eu, mas fisicamente é outra pessoa, mais alta, mais gorda, mais bonita.
- Então e tu andas só a passear nesse corredor? Não acontece mais nada a noite toda?
- Não é bem assim, imagina que te estás a ver como se estivesses fora do teu próprio corpo, inicialmente o sonho é assim, eu estou a ver-me caminhar por esse corredor que penso ser um corredor de hotel, ou coisa parecida, porque as portas têm todas números, e são muitos números. Eu começo a caminhar no corredor sempre no número oito. Primeiro tenho uma visão muito geral do espaço, que está bem iluminado por muitas janelas, todas elas quadros de momentos felizes do meu passado, eu estou a ver-me relativamente ao longe e começo a caminhar, vejo a porta oito, nove, dez, onze…. À medida que vou andando as janelas vão sendo menos e o espaço começa a ficar escuro, vou também aproximando-me da imagem de mim, mas ao mesmo tempo que me aproximo de mim, em principio deveria começar a ver-me melhor, mas não, parece que a imagem de mim vai desaparecendo aos poucos, como se o facto de já só existirem momentos felizes no meu passado transformarem o meu presente em algo destrutivo e não construtivo, logo se já não estou a construir o meu presente, não vou ter memórias dele quando ele for passado, logo vou ter um futuro sem memórias, que seria o mesmo que não ter futuro.

De repente, … não mais que de repente, o telefone começa a mudar de cor como se de um camaleão se tratasse, começa também a mudar de forma, o que dantes era um ouvido por onde Luís falava, começa agora a parecer uma boca que vai mastigando e cuspindo todas as suas palavras.
Silêncio.

- Está? Luís estás ai ainda?
- Sim desculpa parece que estou a ver coisas, não devo andar bem. Bom nunca consigo chegar ao número 24, porque é quando passo no número 22 que tudo se perde, fico tão próximo da minha imagem que entro nela e começo a ver o corredor não como se estivesse fora da acção, fora de mim, mas agora vejo o corredor pelos meus olhos, só que antes de entrar em mim reparo que já só metade de mim tem alguma definição, que mesmo assim é muito pouca, a outra metade é um conjunto de imagens sem forma diluindo-se no ar. Aqui começa o pesadelo verdadeiramente, e dura toda a noite, porque chegando ao número 22, eu vejo duas porta mais ao longe, mas não consigo ver os números, calculo que sejam o 23 e o 24, depois do 24 não vejo mais nada, apesar do corredor continuar, o corredor já não tem mais janelas, do 22 em diante. Só que nunca consigo seguir no corredor, porque quando dou o primeiro passo já dentro de mim, começo simplesmente a cair, cair sem fim, não é voar, é cair. Por vezes caiu no início do corredor, outras noites acordo e ainda estou a cair, já aconteceu também cair em ambientes que não consigo descrever acordado, mas que me deixam sempre com uma sensação de desespero e angústia.

- Está Luís?
- Sim, estava a bocejar, estou cheio de sono, e parece que passei toda a vida a dormir, estou morto de cansaço.

Silêncio, o ruído irritante do silêncio começa a entrar na cabeça de Luís e a deixar marcas, marcas profundas. Não deve haver nada pior que o silêncio duro e pesado da indiferença.

- Está Hugo, ainda estás aí? Hugo! Hugo!

Nada só silêncio
Tentou desligar o telefone, já não conseguia, enquanto antes o telefone flutuava no ar, agora o cómodo auscultador tinha-se transformado numa âncora que agarra o seu ouvido e não pára de o puxar para baixo.
Luís já está deitado a arrastar no chão com o telefone a puxá-lo.
O telefone começou a marcar um número qualquer.

Estou outra vez a ver-me fora de mim.
Não, não pode ser, o telefone marcou o número 222 22 22…
Está impedido felizmente. Quem será que estará a falar para lá? Gostava de saber quem é, queria conhecer essa pessoa.
O telefone voltou a tentar outro número, agora tentou o 222 22 24.
Está a chamar…

quarta-feira




Imagem a contextualizar #06 - by Fa


Eu gosto desse texto descampado
Em que janela enuncia imagem.

Descompasso de sentidos, de cores, de sons...

(gosto do texto da nossa foto)

Eu gosto desse andar sem compromisso
Em que adormecemos juntos
Sempre juntos
Pele com pele
No balançar das horas no asfalto.

Eu quero contigo percorrer distâncias!
Paisagens de um pampa esquecido aos horizontes

E sentir que nós dois entrelaçados
Chegaremos à outra estação
e à outra e à outra e à outra...

E assim andamos.

Ethel

Fico com uma enorme alegria quando reparo que não estou mesmo nada sozinho no mundo, em relação a tudo, tenho amigos de quem gosto muito, tenho-me a mim com quem cada dia que passa consigo conviver melhor, tenho uma familia maravilhosa repleta de pessoas que amo e admiro, e encontro pessoas pelo meu caminho que me abrem novos horizontes e que passam a fazer parte da minha vida.
Uma dessas pessoas conheci há dois anos, na União Budista Portuguesa, quando decidi descobrir o que era isso da meditação Budista, pessoa maravilhosa com uma sensibilidade muito especial e um dom para escrever fora do normal, desde sempre admirei a sua escrita e hoje escrevo sobre a Ethel porque já percebi que não sou o único a admirar a sua escrita por aqui, quero por isso partilhar um bocadinho muito pequeno mas muito bonito daquilo que ela escreve.
Para aqueles que como eu ficam embriagados com as palavras da Ethel, sigam este link.
Um Abraço a todos.

terça-feira

Aprender a ser Rapaz, com C.
Pequeno conto com banda sonora do Quiz Musical #01 - #09

Era uma vez um rapaz cabisbaixo, tinha deixado de acreditar em tudo, em todos, nele mesmo. Pior, preocupava-se em acreditar e que acreditassem nele, ao invés de viver. Não vivia.
Começou por jurar a si mesmo dizer sempre a verdade, a todos, a tudo, a ele mesmo. Começou por acreditar, porque a jura é muitas vezes um princípio para a crença, que saberia sempre o que é a verdade.
Mas não conseguia conhecer ninguém, mesmo o mais aparentemente parecido com ele, que lhe mostrasse acreditar na verdade. Estava farto. E assim abandonou o outro a quem também um dia já tinha jurado ser sempre verdadeiro.
Vagueou pelo mundo, amorfo.
Até que um dia, numa tasca boémia, conheceu um rapaz grisalho que lhe disse: amar e ser amado é a única coisa que há a aprender nesta vida.
Saiu da tasca embriagado de palavras, começou a entregar-se aos que mostravam viver a intensidade da vida, aos que mostravam ter fome quando fome tinham, os que morrem de vontade. Foi cercar-se do fogo dos que ardem e deixar arder-se no fogo dos seus próprios sonhos e desejos.
Viveu assim, algum tempo, encantado.
O tempo passou, como sempre passa, o rapaz cresceu e mudou, como todos crescemos e tudo muda no devir do tempo, e certo dia reencontrou o passado numa estação de comboios, numa nova encruzilhada ou bifurcação. O sonho passado, já tinha passado à história, agora, depois de tanto fogo, tanta chama imensa, imensa mudança, o sonho era novo, era outro. Quem sabe o passado poderia ser um novo presente?
Sonhou com isso e questionou. Será isso o amor? Será o amor fazer todos os dias do passado um novo presente?, ardente!, e nunca esquecer?
A nova dúvida, quase certeza, gerou no rapaz um novo medo. Algo o prendia numa gravidade estática, queria voar, sentia que queria voar mas o seu corpo era um peso sempre presente, uma prisão do seu provir. Não conseguia dançar a dança dos corpos interligados, pavio magistral do amor.
Sentia-se novamente perdido, como fazer do passado, presente?
Aceitou, entregou-se, deixou de se preocupar com a queda, cair passou a ser voar.
E o presente de súbito é constante.
Por mais frio, por mais dor, agora o rapaz construí túneis a ligar janelas, e as cores são todas belas e ardem dentro dele.

Respostas ao Quiz musical #01-#09

#01 - The Boy With the Thorn in His Side - The Smiths
(extravaganza)
boomp3.com
#02 - La Vérité - Vive la Fête
(amelinha)
boomp3.com
#03 - Nature Boy - Toquinho & Vinícius
(nobody)
boomp3.com
#04 - Senhas - Adriana Calcanhoto
(sem resposta)
boomp3.com
#05 - Olá (Cá Estamos Nós Outra Vez) - Jorge Palma
(pinky)
boomp3.com
#06 - Is This Love - Alison Moyet
(pi)
boomp3.com
#07 - My Body is a Cage - Arcade Fire
(nobody)
boomp3.com
#08 - Pioneer to the Falls - Interpol
(su)
boomp3.com
#09 - Neighbourhood #1 (Tunnels) - Arcade Fire
(i_scream)
boomp3.com

Correspondência de Vladimir Severo
Lisboa, 29 de Janeiro de 2008

Bela Valquíria.

Escrevo-lhe para perguntar. Questiono para contrabalançar as suas afirmações. A pergunta normalmente gera diálogo, a afirmação quase sempre engendra discussão ou termina com o possível diálogo.

A Valquíria sabe a imensa beleza que contêm os seus olhos?
Já alguma vez tropeçou num degrau, a subir uma escada?
Quando e Onde é que nasceu?
De quê é que tem Medo?
Qual foi o lugar mais longínquo que já visitou?
Gosta de animais? De qual gosta mais?
Gosta de fazer ditados?
O que lhe custou mais perder até hoje?
Se fosse possível viajar no tempo, a quando ia?
Já alguém a amou?
Já fez mal a alguém, com intenção de o fazer?
Está a ler algum livro neste momento? Qual?
Sabe o que é um orgasmo?
Sempre viveu em Lisboa?
Quer ir dançar Tango comigo? Quando?
1+1= ?
Já mergulhou em mar alto, sem terra à vista?
Já se sentiu musa dos meus orgasmos?
Já partiu a cabeça?
É destra ou canhota?
Lembra-se do seu primeiro beijo com a língua?
Tem irmãos?
Onde é que não entra?
Em que posição adormece mais facilmente?
Vai responder-me a todas as minhas questões?
Tem vontade de ouvir as minhas afirmações?
Quer descobrir ou inventar um mundo novo?
Quantas vezes inspira num minuto?
Já se viu de costas?

Recebe este meu Beijo?

Vladimir Severo.