quarta-feira
terça-feira
Apesar de não parecer, não esqueças que as aparências enganam e nem tudo o que escrevo aqui é pessoal ou tangível. Muito do que escrevo por aqui é ficção, são partes de um outro todo qualquer. E qualquer semelhança com a realidade pode ser mera coincidência, às vezes não.
Sinto alguma tristeza por existirem muitas mais pessoas que vêm aqui apenas passar os olhos, na verdade muitos dos textos que aqui publico têm como intenção tentar gerar algum diálogo sobre os mesmos, pode ser abuso da minha parte, pode até ser egoísmo, ou simplesmente completa esperança ilusória, mas é esta a intenção da maior parte do que aqui coloco, tentar perceber através dos comentários de quem me lê, afinal como é que sou lido e de que forma o outro sente e entende o que escrevo.
O Problema é que tenho uma percentagem muito pequena de comentários comparado com o número de visitas, penso que sucede o mesmo em quase todos os blogs, talvez não o da Radar onde existem pessoas que por cada visita depositam por lá uns dez comentários de cada vez. A dizer a cor das cuecas e o número de pingos de chuva que caíram ontem, entre outras inutilidades do género.
Não me considero escritor de nada, penso mesmo que não tenho muito jeito para a coisa, dou imensos erros ortográficos e gramaticais, trato mal a língua portuguesa e se há alguém que não merece de forma nenhuma ser mal tratada por mim é a língua portuguesa. Mas gosto de escrever, gosto de tentar colocar em palavras o que sinto, o que imagino, o que vislumbro, o que observo, o que vivo e o que imagino que se pode viver. Gosto da palavra.
Podes questionar de que forma vou usar ou não usar os teus comentários por aqui, mas essa pergunta é em parte ridícula, não tenhamos duvidas de que todos nos influenciamos a todos, que estamos todos interligados e que mesmo sem palavras basta existir qualquer tipo de proximidade para nos relacionarmos de alguma forma e assim, ao existirmos na vida uns dos outros, nos influenciarmos. É óbvio que a tua presença vai sempre actuar na minha escrita, na minha maneira de ver, pensar e sentir o mundo.
Chego a pensar que só estamos aqui e agora para isso mesmo, para nos relacionarmos, para nos encontrarmos e para partilharmos a nossa vida uns com os outros.
Depois, quase diariamente, alguém me afirma eu ser uma pessoa que pensa e fala demais, e eu já acredito nisso, de tanto o ouvir depressa cheguei à conclusão que pela lei da probabilidade, é muito mais provável que a maioria tenha razão. E então talvez o melhor seja começar a pensar menos, falar menos e escrever menos.
segunda-feira
Eram cinco para as cinco da manhã, acorda afogado em suor, precisa de água. Lá fora a água finalmente surge do céu com o seu cheiro e a sua música. Levanta-se vai até à cozinha e bebe um copo de água cheio sem respirar. O chão está frio, nunca dorme vestido e as pantufas estão encaixotadas noutro lugar. Vai nu e descalço. Acordou com a respiração ofegante, estava a ter um pesadelo, fugia mas não se lembra bem de quem, estranho, sente que fugia de si mesmo mas estava sempre no mesmo lugar, perseguia-se a si mesmo, e esse ele perseguidor estava parado sempre no mesmo lugar também, a dois metros, dois passos, dois momentos.
Às cinco da manhã entraste no meu sonho, com o teu corpo pequeno e redondo, moreno e belo. Sonhado assim. Cessaste a perseguição, com um simples sorriso, um toque, um vestido que cai ao chão, um corpo vislumbrado desnudado, uma pele de caramelo suave, quente, um cheiro envolvente.
O ele perseguidor e o ele fugitivo finalmente encontrados dentro de ti.
Dormiu descansado até às nove da manhã, acordou com apetite, voltou à água, agora quente, que cai sobre o seu corpo atordoado.
- não penses mais nisso, vais ver que ele fez isso de ânimo leve.
dizem que fazer as coisas de ânimo leve é fazê-las sem pensar nas consequências, e é tão bom fazer um monte de coisas sem pensar no: e depois?. e tão bom seria se as consequências fossem sempre boas. na interligação evidente dos eventos, na relação mais que íntima entre causas e efeitos, existem aqueles momentos, os momentos onde o ânimo está tão leve que até o corpo flutua.
sexta-feira
Quero escrever-te o corpo todo, o acto de escrever é libertador para mim, entrego-me de corpo e alma ao acto de escrever, ao escrever vivo e ao escrever ajudo a minha memória a arrumar as coisas no seu devido lugar, um lugar belo e de fácil acesso para mim.Quero escrever-te toda, guardar as nossas palavras na memória da tua pele, senti-la arrepiar-se ao toque do adjectivo, sentir-te estremecer na vibração do verbo, pousar junto a ti no planar das reticencias terminadas no teu umbigo.
quinta-feira
Tagarela. Fala-barato. Desbocado. Linguareiro. Inconveniente. Fala pelos cotovelos. Linguarudo. Falador. Verboso. Declamador. Mexeriqueiro. Coscuvilheiro. Loquaz. Palrador. Indiscreto. Orador. Enfático. Exagerado. Mas Gago.
quarta-feira
terça-feira
Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar
E nesse desespero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar
segunda-feira
A interdependência é tão óbvia, é tão simples sentir e perceber que tudo está interligado e que sempre algo leva a alguma coisa que por sua vez faz algo acontecer.
Em consequência a uma gripe, das antigas, que me apanhou, como já não era apanhado há muito tempo. Passei uma noite de sexta-feira em casa.
Uma opinião especializada disse-me que a minha gripe, por sua vez, era consequência de eu não comer fruta há algum tempo, mas tem sido tão difícil encontrar boa fruta, e quando a encontro não consigo lhe deitar a mão.
Passei a noite de sexta-feira em casa a ver televisão, e em consequência disso, tive a perplexidade de assistir a um programa de seu nome: Doutor preciso de ajuda. Programa extraordinário, que me abriu todo um novo horizonte para uma realidade que já mais tinha imaginado existir.
Em consequência a essa perplexidade, ideias começaram a surgir em mim.
Penso que o programa tem qualidade mais que suficiente para criar escola, assim mais ou menos como o C.S.I., que deu origem ao C.S.I Miami e que bem poderia influenciar o C.S.I. Moscavide.
Assim, deixo aqui algumas sugestões para outros programas do género:
- Contabilista, Preciso de Ajuda – seria um programa onde pessoas individuais ou colectivas, que queiram fugir aos impostos, e quando digo fugir obviamente estou apenas a dizer pagar menos que o justo e legal, encontrariam ajuda especializada para atingir esse fim. Poderia existir sempre também o funcionário da repartição que é facilmente subornável, entre muitas outras situações de interesse que iriam certamente agradar ao público e assim dar audiência.
- Advogado, Preciso de Ajuda – na mesma linha de raciocínio seria um programa onde pessoas que queiram se safar à justiça encontrariam o apoio necessário. Poderia servir também para aproximar os cidadãos do sistema judicial e melhorar a imagem do mesmo nos portugueses. Afinal a justiça não é uma pobre coitada ceguinha que caminha tão devagar que nunca apanha ninguém que saiba correr e se esconder, mas que quando apanha os desprevenidos é implacável.
- Padeiro, Preciso de Ajuda – seria um programa onde as pessoas que já não aguentam mais, comer pão quadrado, seriam ajudadas a encontrar os lugares ideias para adquirir pão amorfo e onde até poderiam aprender a fazer bom pão com uma forma qualquer.
- Assassino, Preciso de Ajuda – Queres ver-te livre do patrão? Queres que a tua mulher desapareça de vez? Já não suportas mais a tua sogra? Queres-te vingar do porteiro daquela discoteca? Vem ao Assassino, Preciso de Ajuda.
- Puta, Preciso de Ajuda – não carece explicação.
- Deus, Preciso de Ajuda – não pode ter explicação
- Arbitro, Preciso de Ajuda – toda a gente sabe a explicação.
- Anti-Pulgas, Preciso de Ajuda – programa dedicado a quem é estúpido o suficiente para dormir com o cão.
- Querida, Precisas de Ajuda?



