sábado

Esqueço sempre que a pressa é inimiga da perfeição.
Não consigo sentir ou perceber o tempo do outro.
E com isso, por vezes vou com o carro em frente dos bois, outras vezes, fico muito longe do lugar onde o outro se encontra.
Com Ela isso está a ficar claro, o que para mim já leva algum tempo, para Ela ainda nem sequer começou, ou existe, é como sinto.
O senhor de cabelos grisalhos chegou com uma cara triste, deve ser porque também sente que o curso não está a ser tão bom como puderia, o curso dos acontecimentos...
Na verdade, apenas falar ou teorizar sobre estas coisas, sem as praticar ou viver, torna tudo muito mais dificil, complicado e mesmo doloroso para as apreender, uma quantidade apenas, de conceitos e realidades que seriam obvias, se as sentisemos.
Na prática, o encontro com nós mesmos é muito mais forte, claro e limpo. É verdadeiro. Apenas na prática te encontras, na teoria... fujes de ti mesmo, a sete, ou sete mil pés.
Contudo, não vai ser fácil olhar para Ela com outros olhos, que não os de encantamento, os meus do momento. Enquanto continuar a vislumbrar tanta beleza nelA. Enquanto Ela continuar a aparecer, no lugar para onde olho.
Já percebi que pode não ser uma questão de tempo, a questão é que o meu tempo passa, mas eu continuo a ver a beleza.
E assim fica quase impossivel não me deixar embarcar, pelo mar a dentro da beleza, que vislumbro, que Ela planta no espaço e no tempo em que existe.

Aqui, Existe a duvida
Acolá, Reside a ilusão
Ontem trazia a ilusão de uma certeza
Hoje carrego a certeza de uma duvida

O que irá acontecer amanhã?

Se hoje não atear a ilusão de ontem
Se compreender que após a desilusão de uma noite

Existe sempre outra manhã.

terça-feira

nem MAIS, nem menos!
ou MAIS, ou menos!
tanto faz
desde que seja AGORA
no PRESENTE.

sexta-feira

As palavras são utensílios inúteis para a partilha entre dois seres humanos, não servem para mais nada que não seja a comunicação; as palavras são monstros que talham a comunicação à sua maneira e como são finitas, por maiores que os dicionários sejam, tornam a comunicação finita, também, balizada, presa, limitada, apartada, localizada, estabilizada, normalizada, estagnada, …
Os dicionários, são a lista de todas as palavras que sabemos usar, em princípio com elas seríamos capazes de exprimir tudo, mas por alguma razão, ao longo da história, os dicionários tem vindo a aumentar e a diminuir, conforme o momento histórico da humanidade.

Já existem também enciclopédias, listas telefónicas, manuais para tudo e mais alguma coisa, o ABC do Amor, o ABC da sexualidade, o ABC do bricolage, o ABC da mecânica automóvel, existe quase o ABC de tudo, entre eles o ABC do DEF que ao que ouvi dizer por palavras ensina quase tudo, se não tudo mesmo acerca do GHJ.
Este pseudo e irrisório ensaio em forma de carta e manifesto, está a ser escrito e expresso por palavras, por isso é pobre e medíocre no seu todo e inútil no seu conceito; pois pretende transmitir algo que vai vagueando e mal tratando o autor do mesmo, por palavras, sabendo o autor que nem mesmo aos gritos mudos ele consegue por para fora tudo o que lhe vai na alma, porque nem ele mesmo tem palavras que o ajudem a explorar todo o seu âmago, por isso pára sempre nessa fronteira e daí em diante é uma imensa escuridão assustadora, vertiginosa, atractiva, inebriante, estonteante, desesperante, angustiante, …
As palavras existem para dar nomes aos nomes. Mas existem nomes sem nome, e quando os encontramos ficamos vazios. Para isso então, alguém teve a maravilhosa ideia de inventar os sinónimos, no fundo são mais palavras que querem dizer exactamente o mesmo que as anteriores já inventadas, mas que não querendo dizer exactamente o mesmo, ou se o mesmo quisessem dizer diziam-no pelas mesmas palavras e não por outras quaisquer; acabam por dizê-lo.
Assim nasceu o conceito e a palavra comunicação, que é nada mais nada menos que querer dizer algo, não dizendo nada para que se pense que dissemos tudo.
Para complicar tudo um pouco mais ainda, foi inserida mais uma variável, nesta equação, já de si impossível de resolver.
É que existem as palavras escritas e as palavras faladas.
Formas diferentes de usar a mesma coisa.
Pior ainda, existe hoje também uma variável de extrema importância na convivência entre seres humanos, que é a maneira, ou a forma, seja ela falada ou escrita com que se dizem as coisas. Porque é de uma diferença abissal dizer : estou farto, ou dizer estou farto. Até porque farto quer dizer tanta coisa, estou cansado, estou exausto, estou cheio, estou abarrotado, estou saciado, estou empanturrado, estou nutrido, estou abundante, estou enfastiado, estou aborrecido, ou ainda se a palavra não se tivesse tornado nisto, estou simplesmente farto (grita).

Depois existem pessoas, como o autor deste manifesto, desculpem, pseudo-manifesto, que sente sempre que as palavras não dizem o que ele quer dizer, por isso, em vez de desistir de as usar, continua em busca delas, porque já está viciado, adulterado, falsificado, anulado. Mas mesmo para pessoas como ele já existe uma palavra: redundância.

"Liguei o carro, dei meia volta e segui o meu caminho, supostamente o meu caminho, deixei para trás a Travessa do Moinho Velho, depois de mais um combate contra os velhos moinhos de vento, depois de mais uma sentida derrota. Não por sentir ou achar ter perdido o combate, até porque não existem combates contra moinhos de vento, e eles, os moinhos, de tão velhos, se calhar já nem existem mesmo, afinal quem é que aqui, ainda e agora tem esperança que o vento venha?
Mas dei meia volta com a sensação de ter perdido mais uma vez, de ter perdido qualquer coisa minha que me custa sempre tanto voltar a encontrar, e por isso dei meia volta triste.
Não havia trânsito, podia conduzir sem atenção, e por distracção enganei-me no caminho, só dei por isso quando no meio do Nada, um sítio familiar por qualquer razão que não lembro qual, um sítio que parecia conhecer tão bem; esse Beco do Nada, reparei em algo que deveria ser realmente novo alí, como se eu conhecesse perfeitamente este beco mas sem aquela tableta ao canto.
O Beco do Nada, sempre tinha sido um beco sem saída, mas desta vez eu encontrei uma tableta no suposto fim do beco a indicar o Fim do Mundo em qualquer direcção.
Parei o carro e segui a pé, subi dois degraus e virei à esquerda, cheguei então a um Largo lindo, como eu nunca tinha visto, nem sequer sonhado projectar, era o Largo do Fim do Mundo, era alí o fim do Mundo.
Só haviam duas saídas ou entradas para este largo, uma foi por onde cheguei, a outra era o meu caminho.
Sem sequer pensar continuei a caminhar, a caminhar o meu caminho, deixei para trás o Mundo e o seu fim.
Não te consigo dizer por palavras como era este lugar, era onde não se andava, mas existia movimento, era o puro sentimento, acho que só com os meus olhos, as minhas mãos, a minha boca, o meu corpo e tudo em mim que comunica sentimentos, que não a palavra, te conseguia descrever este lugar que encontrei, com um simples beijo tenho a certeza que te fazia ver e sentir tudo isto.
Vi e senti as coisas mais bonitas aqui, a alegria era linda e a tristeza era sua irmã gêmea.
A solidão existia para quem queria e apenas para quem a queria, alías aqui a vontade, o desejo e o Amor eram a norma.
E depois, acordei, vivo."

É bom, encontrar textos antigos, e fotografias antigas e ainda gostar do que fizemos no passado. Hoje deixo por aqui um pouco do meu passado distante.

quarta-feira


Variações em Branco 2

Variações em Branco







terça-feira


"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

Alberto Caeiro


Desta vez é ao contrário do que tem acontecido por aqui.

Desta vez a fotografia é minha, a poesia é de um dos mestres.

Até aqui normalmente a poesia é minha e as fotografias de mais uns tantos mestres e fontes de inspiração que vou conhecendo...

segunda-feira


Caminha, observa os Lugares
Por onde passas, não te deixes ficar
Caminha sem meta, com rumo
Absorve o que és, e mais o ar
Vive aberto ao que sentes
O nosso destino é Amar.

Como mudou a minha vida

E tudo muda sempre, e tanto

E como é boa a mudança

Se não agarrar o que supostamente
Existe

Se souber abraçar o que tangivelmente
Aparece.

No sexo é uma criança que finalmente brinca, com o brinquedo com que sempre sonhou.
Brinca com o meu corpo, sem se cansar, não existe mais brinquedo neste mundo.
Viaja no meu corpo, é um caminhante que finalmente explora o destino de toda uma vida.
Descobre todos os cantos e recantos, saboreados com todo o prazer e plena atenção.
Toca-me, no dedilhar dele Eu sou o Piano, e juntos somos Musica.
Nas mãos dele, sou uma obra de arte, de qualquer arte.
É arte o nosso encontro.


Não deixo de Sonhar porque continuo a acreditar na probabilidade da hipotese.

Sabes? Quando Tu Sabes!
Que não foi bem assim
mas que foi assim que foi
Que as coisas acontecem assim
para ti, em ti, contigo
Porque para mais ninguêm
nem com outro alguêm
Foi assim que aconteceu
Sabes?
É isto? É mentir?
É ser louco? Doente?

Eu não sei!

Longa ausência. Do blog, não da escrita. Tenho escrito muito, no meu bloco de papel.

Nada como o encantamento, nada como o contentamento, como a simplicidade.

Nada como o presente, nada como a verdade.

Nada como Ela.

Os próximos posts são um pequeno resumo daquilo que tenho escrito à deriva, em papel. Entre conversas, entre filmes, entre copos, entre abraços.

terça-feira

É favor não fumar, se for possivel...
Curtar pelo picotado e escrever com letras maiuscúlas.
Não temos serviço de esplanada.
E as bebidas, são para consumo no estabelecimento.
Tabaco, só ao balcão, mas para comprar
Nunca para fumar.
Até porque o tabaco prejudica gravemente a saúde.
E quem o adverte é o Governo.
E o governo nunca se engana
E raramente tem duvidas.
E é preciso saber investir
Isto é, para quem quer lucro.
Perdão?
Desculpe?
Agora não percebi...
Existe alguêm que não queira lucro?
Lucro é a melhor coisa do mundo
A única que realmente interessa.
Sente-se alguma ironia no meu pensamento?
É sempre o meu problema...
Raramente consigo ser convincente.

Temos que iniciar difíceis negociações
É que parece, tudo acaba por ser um negócio
Vamos ficar os dois a perder, como sempre…
É um jogo ingrato, este
Somos obrigados a jogar, por nós mesmos…
Não sabemos as regras.
Nunca vencemos
Nem conhecemos vencedores, é verdade que não existem derrotados…
Mas perdemos sempre, todos.
Pessimista?
Derrotado?
Eu?
Não, Estão enganados!
Realista?
Eu?
Nem pouco, mais ou menos
Subjectivo, esse sim, é um adjectivo que conheço e aceito.
Nem mais, Nem menos
Sou subjectivo, contraditório, parcial e sonhador.
Quer dizer…
Utópico!
Que com o acordo ortográfico, se não me engano…
Sonhador passou a ser Utópico.
E Utópico passou a ser Estúpido.
Logo, se a lógica ainda tem alguma lógica
E se “A” implica “B”
E se “B” implica “C”
Logo, Sonhador passou a ser Estúpido
E Eu sou Estúpido.
Nem Mais, Nem Menos
Gasto tempo a escrever estas coisas
Gasto tinta, papel e principalmente dinheiro…
E isso é um crime, e quem comete um crime é criminoso
E um criminoso merece a lei
E a lei é sempre justa
E a justiça tarda, mas não falha
Por isso, estou aqui sentado à espera do meu castigo
E mereço, mereço um punho firme.
Não pudemos esquecer que uma maça podre é uma epidemia.
Apodrece todas as boas maças…
Por tudo isto…
Tenho que ser…
Ser encarcerado
Ser isolado
Ser esquecido.

ESCREVO PARA VIAJAR
FAÇO AMOR PARA ME SENTIR COMPLETO
PENSO POR PENSAR
E SINTO, PORQUE OUTRA COISA AINDA NÃO ME FOI POSSIVEL

segunda-feira

Ontem a Ethel foi voz do meu Coração
Saboreou o meu PaladardaLoucura.blogspot.com
nas minhas Papilas
e ao Falar disse assim:
"não Construi o que Somos
naquilo que Fomos no Passado
para evitar o Futuro."
É assim o Presente
A verdade aqui do agora
O que somos é o que vivemos.

sexta-feira

Ideias Soltas
Desconcertantes

Viveres Concretos
Reconfortantes


Viver deve ser tudo isto
Vales, Montanhas e Água


Viver é um Imprevisto
de Sentimentos de Alegrias e de Mágoa

segunda-feira

É Cedo Agora?
Estou já cansado de esperar
É que sinto...
Ontem foi cedo
Antes do cedo foi cedo demais
Amanhã será cedo?
Será cedo demais?
Vai ser tão cedo que nem sequer vai acontecer...

Já Sinto à muito que quando chegar a hora...
Já não vai ser verdade...

É que sabes?
Foi ontem que te Amei.