quarta-feira

             A nova casa tinha dois andares, ligados por uma escada de vinte degraus, dois lances de dez degraus unidos por um patamar a meia altura.

             A casa antiga era praticamente um corredor, entravasse quase a meio, para a direita tinha a cozinha, em frente a sala e para a esquerda três quartos e duas casas de banho.

             Se todas as portas estivessem abertas, do quarto ele conseguia ver tudo o que se passava em casa. O quê e quem cozinhava na cozinha, o que estava a dar na televisão da sala, o que a irmã fazia no quarto dela, tudo. O corredor tinha uma fila de armários com espelhos nas portas, com a ajuda deles a capacidade de observação era quase total e directamente proporcional à falta de privacidade.

             Cresceu assim, a saber sempre o que se passava à sua volta.

             Depois, a casa nova era tão grande, tão acusticamente isolada que o quarto dele mais parecia uma cela de onde não se via nada e menos se ouvia. Começou por andar a correr pela casa e espreitar às portas, a subir e descer a escada a toda a velocidade, a ir da cozinha para a sala de estar passando pela de jantar.

             Um dia, não sei ao certo se a meio da trigésima terceira ou trigésima quarta volta pela casa, tropeçou no degrau dezoito, contando de baixo para cima, quando ia a descer, ao invés disso, caiu escada abaixo. Partiu uma perna e um braço. A mãe ainda lhe disse que já o tinha avisado, o Pai foi emburrado com ele até ao hospital, a irmã riu.

             Ele passou três meses praticamente deitado no quarto dele. O seu mundo passou a ser apenas o seu quarto, a vista sobre as árvores a rua e o céu através da janela e o que a mãe e a empregada traziam do outro lado das quatro paredes quando lá iam.

             Realizou, que dentro dele havia um mundo muito maior e estranho por explorar, tornou-se um rapaz, aos olhos dos outros, fechado solitário ou tímido.

terça-feira

quarta-feira

Debater Citações #05

“As leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insectos e são rasgadas pelos grandes”
(Sólon)

“A majestosa igualdade das leis, que proíbe tanto o rico como o pobre de dormir sob as pontes, de mendigar nas ruas e de roubar pão”
(Anatole France)

“Se não existissem más pessoas, não haveria bons advogados”
(Charles Dickens)

“Qualquer idiota pode fazer uma regra e qualquer idiota a seguirá”
(Henry Thoreau)

“Para que possamos ser livres, somos escravos das leis”
(Marcus Cícero)

“As leis são sempre úteis aos que têm posses e nocivas aos que nada têm”
(Jean Jacques Rousseau)

“Mas a verdade é que não só nos países autocráticos como naqueles supostamente livres – como a Inglaterra, os EUA, a França e outros – as leis não foram feitas para atender à vontade da maioria, mas sim à vontade daqueles que detêm o poder”
(Léon Tolstoi)

“Não acredito nas constituições nem nas leis, a mais perfeita constituição não conseguiria satisfazer-me. Necessitamos de algo diferente: inspiração, vida, um mundo sem leis, portanto, livre.”
(Mikhail Bakunine)

terça-feira

Qual é a moral da história?


quinta-feira

Dedico esta música a alguns patos que por aí andam e que precisam de um banho frio com urgência.


boomp3.com

O Pato
Vinha cantando alegremente
Quém! Quém!
Quando um Marreco
Sorridente pediu
Prá entrar também no samba
No samba, no samba...

O Ganso, gostou da dupla
E fez também
Quém! Quém! Quém!
Olhou pro Cisne
E disse assim:
"Vem! Vem!"
Que o quarteto ficará bem
Muito bom, muito bem...

Na beira da lagoa
Foram ensaiar
Para começar
O tico-tico no fubá...

A voz do Pato
Era mesmo um desacato
Jogo de cena com o Ganso
Era mato
Mas eu gostei do final
Quando caíram n'água
E ensaiando o vocal...

Quém! Quém! Quém! Quém!
Quém! Quém! Quém! Quém!
Quém! Quém! Quém! Quém!
Quém! Quém! Quém! Quém!...

Ai Ai Ai, Quem é que nos acode!!

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terça-feira

Diário de Vladimir Severo
Lisboa, 22 de Julho de 2008

Sei que só o presente existe e que ele, assim como a existência, não pode ser parado e observado para analisar e concluir. A nossa existência é para ser vivida e sentida, assim como o tempo, o presente.
Sei que para muitos dos que me lêem faz já muito tempo que não escrevo nem apareço, para esses desapareci, assim como se tivesse deixado de existir, porque não estou presente. Se não estou presente, se não vivo o meu presente e se não presenteio os outros com a minha presença assim como não recebo a presença dos outros ao meu redor, não existo.
Mas não é assim, na verdade não morri e ainda existo, apenas não existo aqui, neste espaço.
Volto hoje quase só para deixar um sinal de vida.
Nunca foi fácil para mim a relação com o sexo oposto, quase sempre precisei de tempo, de reflexão e principalmente de introspecção quando sinto não estar feliz a relação que desejo ter com o sexo oposto.
E assim aconteceu com a menina Valquíria Gondol, sei bem que não fui batalhador, sei bem que não fui conquistador, sei bem que não sou um bom exemplo do que supostamente um homem deve ser na fase da conquista e da corte. Não fui talhado para ser rei.
Preparei um jantar, fui aprender a dançar tango, escrevi e percorri ruas da nossa cidade para estar perto dela, com o sonho que ela me recebesse. Nunca quis receber-me e muito menos entregar a mim um pouco dela que sentisse verdadeiro, espontâneo e sentido.
Da menina Gondol apenas recebi sarcasmo e projectos de agressão.
E assim ausentei-me por uns tempos, fui estar presente noutros presentes, muito mais presente apenas e só a mim e não tanto ao sentimento que existia em mim projectado na imagem da Valquiria.
Agora volto apenas e só para me fazer ver vivo, aqui, neste espaço onde ainda assim sempre senti conseguir ser eu mesmo. Mesmo sabendo que a menina Valquiria frequenta também este espaço, mesmo sabendo que outras pessoas com o Senhor ElMauNitch, alguém por quem na verdade sinto um certo respeito medroso, também aqui vem e por isso também me lê e vê vivo. Mesmo sabendo que o facto de aqui vir poder resultar numa nova recaída nesta minha maneira tão ingénua por vezes de ser.
Arrisco, apareço.

segunda-feira

Porque também a mim o que me preocupa são as coisas fora do anormal.
Dou início a uma campanha para atribuir o prémio Capitão Moura ao senhor António de Balasar.


Cuidado, existem coisas fora do anormal a acontecer!!

quinta-feira

quarta-feira

1º Auto LomoRetrato, trabalhado em PhotoShop.
por alguma razão os peixes não gostam de mim.

terça-feira

As Primeiras. Não é como andar de bicicleta e não é fácil fotografar com a Diana F+.
Em 12 fotografias apenas estas duas me apetece publicar aqui, não vou disistir.


Dentro de dez minutos vou finalmente sair daqui para ir buscar a revelação e digitalização do meu primeiro rolo de fotografias, tirado com a Diana F+.

Quem sabe amanhã há novidades por aqui.

Num ano qualquer já longínquo, não me apetece fazer contas à vida, no meu décimo ano de escolaridade, uma professora descobriu que a escola tinha todo o material necessário para montar um laboratório de fotografia a preto e branco. Propôs a alguns alunos da turma, entre eles eu, se estaríamos dispostos a ser responsáveis por uma sala sem luz e consequente laboratório fotográfico na escola. Com o intuito de fotografar, revelar, imprimir e quem sabe expor na escola os nossos trabalhos de fotografia.

Foi um dos melhores momentos da escola secundária, ganhei uma paixão pela fotografia, fotografei imenso, conseguimos alguns apoios financeiros para papel, líquidos e rolos e por isso todos os dias lá andava eu de maquina na mão a fotografar quase tudo o que via.

Eu e mais quatro amigos tínhamos uma sala fechada à chave dentro da escola e sem luz, sempre que algum aluno queria utilizar o laboratório teria que marcar uma hora connosco e ser acompanhado por um de nós. Como podem calcular só raparigas tiveram esse privilégio.

Depois o liceu acabou, ainda ajudei a montar um laboratório em casa de um amigo e ainda continuei durante uns tempos a fotografar, depois vieram as máquinas digitais e a paixão pela fotografia foi passando.

Ficou uma saudade que nunca era satisfeita.

Até que para acompanhar certa menina a quem ofereceram uma Lomo, decidi comprar uma também e voltou a paixão, numa semana já tirei cinco rolos e agora tenho que ir embora para ir buscar a revelação do primeiro deles.

TENHO UM BRINQUEDO NOVO!!
MAIS TARDE PARTILHO A BRINCADEIRA!

sexta-feira




Dizem que olhando para mim pareço um signo de água, sendo eu terra, mas com o ascendente em ar. São aquelas coisas para quem não acredita na astrologia diria logo, vês porque é que acreditam nessas coisas!
Este verão estava eu na praia com uma amiga que conhecia há muito pouco tempo, que conheci num sítio maravilhoso e esotérico, ela só dizia não te percebo, tu estás sempre na água, é no mar, é na piscina, tens qualquer coisa ligada à água! Até que ela foi ver os meus números na astrologia do Ki (das nove estrelas), e o meu número é 591 - 5 (terra, o imprevisível, está ligado à personalidade da pessoa), 9 (Fogo, comunicação, infância) e 1 (água, é aquilo que as pessoas vêem em ti).
E disse, bem que tinhas que ter água em ti!
Isto para dizer que a olhar esta imagem, lembra-me eu própria, a água acalma-me muito, faz-me relaxar imenso e é quando consigo parar, e ficar algum tempo num sítio!
Quando estou no mar, demoro a entrar, o mar faz-me pensar e sinto uma luta cada vez que vou ao mar, faz-me remexer com as coisas na minha cabeça, e até entrar, demora, pois estou num perfeito diálogo com ele.
Relaxo como esta imagem mostra. Nado exactamente desta maneira, então sem nada, sinto uma liberdade como em terra não sinto.
Quando era miúda chamavam-me de sereia, ou de peixe, pois não saio de lá!
Quem me conhece bem, cada vez que me aproximo do mar, fico completamente histérica, ciosa para entrar naquela água, que me faz acalmar e ganhar novas energias!

" Hei-de ser Cravo Encarnado
que vive em pé separado
e acaba na mão de Alguém"

quarta-feira

AFINAL TAMBÉM FAÇO BICOS!
ESTE É O MAIS RECENTE.

ESTAÇÕES DE SERVIÇO DO FUTURO!


terça-feira

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182 dias
6 meses