quinta-feira

Longa foi a noite
de espera e decisões
Triste foi a madrugada
dorida e conturbada
Funeral de ilusões

Depois daquela madrugada
quando o Sol por fim aqueceu
Corri sem abrandar
Ainda hoje não sei se fugia
ou se corria para alcançar

quarta-feira

Mais umas linhas que escrevi, há mais de dez anos. Só que hoje tenho especial vontade de as publicar.
Concorri numa espécie de concurso num blog de uma malta urbano-depressiva com um texto escrito de impulso, só para não me mal tratar mais tarde por nem ter concorrido. Perdi o concurso para a Amelinha, merecidamente, que tem um blog também, o Gira o Sol.

Os braços do moinho
Giram ao som do vento

O Girassol observa
O cheiro do Sol

A água do Rio
Toca o fundo do Mar

E todos sentem
Todos sonham
Todos vivem.

terça-feira


Poema com 10 anos
E passou um
E depois outro
E mais tarde, a Terra
Deu mais uma volta ao Sol
A seguir vi mais um nascer do dia
Já cansado reparei que eles vêm sempre
Sem falhar
Já habituado nem dava por eles
Uns atrás dos outros
Já resignado lá ia andando
Vazio, como eles
Até que num deles, acordado
Contei-os, vi como já são tantos
E finalmente percebi
Nunca mais nos encontramos.

Como Eu Não Possuo

"Olho
em volta de mim. Todos possuem
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas minh’alma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei ... perco-me todo ...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse - ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo ...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me ?

Como eu desejo o que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor ....
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor ! ...

Desejo errado... se a tivera um dia,
Toda sem véus, carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada
Nem mesmo assim – ó ânsia! – eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados
Se fosse aquele sexo aglutinante ...

Do embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo."

Mário de Sá-Carneiro

Só falta mudar o nome para Zé
Para ser um ninguém nomeado
Cair estatelado na lama
Para estar como estou
Ai então, quem sabe?
Seria humilhado por outro
Realmente mal tratado
Por alguém que não eu mesmo
Ninguém.

Poema em Linha Reta

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."

Álvaro de Campos

Era uma vez um rapaz tão baixo, tão baixo, mas tão baixo que a água que saía quente do chuveiro, chegava fria às suas costas, um dia constipou-se e morreu.

segunda-feira

Hoje não há devaneios de ElMauNitch, não há Quiz musical, não há desabafos, não há musicas nem filmes, não há fotos nem poesia, não há mais nada que não seja apenas estas linhas para deixar aqui guardado que o meu dia foi cansativo e chato e por isso não me apetece estar aqui a escrever o que quer que seja.
Hoje não tenho nada de novo para dizer e falar do velho já estou farto.

sexta-feira

Quiz musical #06
dica = 80's dificuldade = 2/5

"(...)
I choose never to forget
I want our lips to kiss and our limbs to entwine
let our bodies be twisted but never our minds.
(...)"

Textos ou Devaneios por ElMauNitch #02

Todo o ser Humano, homem ou mulher, só procura uma relação amorosa para ter um parceiro certo e fixo para foder. O sexo é o sentido da vida, fodemos logo existimos!

Textos ou Devaneios por ElMauNitch #01

Enquanto a humanidade e a sociedade em geral não se convencerem que só existem dois lugares possíveis onde a mulher pode e deve trabalhar, este mundo não vai caminhar para nenhum estado de felicidade.
A mulher, com as suas capacidades naturais e com a sua margem de aprendizagem só pode trabalhar ou em casa ou na esquina.

AVISO À POPULAÇÃO.

O governo e as finanças querem fomentar o daltonismo.
Porquê é que os recibos verdes, não são verdes?
É urgente a revolução, antes de passares um recibo verde pinta-o todo de verde, assim estamos a fomentar as capacidades artísticas e motoras da população, vamos todos juntos fazer verde o que verde tem no nome.
Depois entrega o recibo mas recusa-te a receber o dinheiro, o vil metal, as verdinhas (que no nosso caso nem todas o são), a revolução é a greve ao salário, aos honorários, vamos finalmente ser todos verdadeiramente pobres.

quinta-feira

Hoje dormi pela primeira vez na minha casa nova e na minha cama nova, 2.00m x 2.00m. Dormi mesmo bem, mas fico meio que perdido no meio de uma cama tão grande, há pelo menos espaço para mais duas pessoas, alguém do sexo feminino precisa de um lugar para dormir?

quarta-feira

acabei de ver este video no blog de uma amélia, não resisti, tive que roubar para o meu também, está linda a animação, fabulosa, deve ser preciso cair um piano de cauda do céu para eu conseguir voltar a sentir um amor arrebatador na minha vida, que chouvam pianos!!!



Manuela, Cravo e Canela

#01


A carta chegou à caixa do correio, foi num tempo em que já haviam bipes e alguns telemóveis, poucos. Foi num tempo em que já havia Internet mas não era o que é hoje, algumas pessoas já a viviam e investigavam mas era uma minoria muito restrita.
A carta chegou sem aviso prévio ou de recepção e na casa, ou no país, ninguém a esperava.
A carta era sincera e verdadeira, era a carta.
Foi a mãe que a abriu, a carta era destinada a ela, vinha do Brasil e era da sobrinha da mãe, prima do narrador.
Tinha corações no lugar dos pontos dos i’s e por entre linhas e sobre linhas, o que dizia era que a sobrinha queria vir da sua terra natal para Portugal, tentar a vida, mudar de vida, viver, conhecer a família, encontrar-se, ser.
A tia da remetente ou a mãe do narrador, não pensou duas vezes, mandou dizer em resposta à carta que a Manuela devia vir e que teria todo o apoio deste lado do oceano.
Manuela nunca tinha andado de avião, fez escala no Rio de Janeiro e aterrou em Lisboa. Foi recebida pelas tias e entrou em casa com uma mala à frente e outra atrás.
O narrador recebeu-a de cuecas, como se já a conhecesse há tanto tempo, afinal são primos e os voos do Brasil chegavam de madrugada, não havia razão para a receber de outra forma, só uma forma pouco verdadeira. A prima chegou, o narrador estava a dormir, levantou-se, e de cuecas recebeu a Manuela.
Ela veio da terra da carne boa, na sua primeira refeição em Portugal a família quis levá-la a comer carne brasileira, que erro, como se em Portugal existisse carne brasileira da qualidade da carne brasileira que se come no Rio Grande do Sul.
E foi assim que Manuela começou logo ali a perceber que o Brasil tinha ficado sem dúvida alguma, do outro lado do oceano.


Qualquer semelhança com factos reais é pura coincidência, alheia ao autor da novela.

É cada vez mais fácil para um adepto do Sporting ser verde. Eu se fosse do Sporting já andava completamente verde com a produção da equipa.

bucólico
do Lat. bucolicu < Gr. boukolikós, boû(s) , boi + kólos, condutor
adj. ,relativo à vida do campo, dos pastores;
campestre, pastoril;
singelo, ingénuo, puro, inocente, simples, gracioso.

O nevoeiro parece que veio para ficar, o sol lá de vez em quando consegue passar por ele e aparecer, tímido. Está um ligeiro frio na rua e os níveis de humidade têm subido.
O dia está bucólico, talvez ainda caiam uns aguaceiros por aí, e como eu gosto de chuva, como eu gosto de nevoeiro e de frio, como a palavra bucólico me é tão querida, hoje parece-me ser um óptimo dia para ir ver e ouvir Au Revoir Simone.

terça-feira

Quiz musical #05
dificuldade = Fácil, Fácil

"(...)
Eu quero dar-te um Beijo a 50 e tal graus
(...)"

Uma pessoa começa a fazer escolhas e pronto, está tudo tramado. Sempre senti que a única liberdade que temos na vida é a de escolher, temos esse direito, hoje em dia, de escolher entre muitas realidades e situações, muitas vezes na verdade não estamos a escolher nada, porque as opções são todas as mesmas e o resultado vai ser o mesmo quer escolhemos uma ou outra.
Esta questão da escolha surge aqui e agora, porque fiz um post há uns dias atrás com os dez álbuns do ano de 2007 que mais ouvi e que mais gosto, até ao momento. Como não poderia deixar de ser, mal cliquei no publicar este post, comecei imediatamente a lembrar-me dos outros dez ou vinte que deixei de fora. Como sou um fraco, não sou capaz de não publicar mais dez álbuns de 2007 que gosto.
.
Devendra Banhart - Smokey Rolls Down Thunder Canyon

Feist - The Reminder Keren Ann - Keren Ann

Klaxons - Myths Of The Near Future

Of Montreal - Hissing Fauna, Are You The Destroyer?


Okkervil River - The Stage Names


Otros Aires - Dos


Patrick Wolf - The Magic Position

The Cinematics - A Strange Education


The Thrills - Teenager

segunda-feira

Belas notícias logo pela manhã!!
"Hello,
Just to let you know…
Your “In Rainbows” discbox has now left w.a.s.t.e. in the UK
You can expect delivery of your discbox in the following estimated times.
UK 1-8 days
Europe 1-14 days
Rest of World 5-18 days
Wherever possible (especially to customers in the USA), we’ve sent these by road and sea.
December is a busy time of year for postal services globally, so please be patient.
We thank you for your custom and hope you enjoy your discbox when you receive it.
Best wishes.
us @ w.a.s.t.e."

sexta-feira

Eu sei que ainda falta um mês, mas o tempo passa mesmo a correr e daqui a nada o ano acaba, e hoje apetece-me fazer o primeiro balanço dos albuns do ano. Esta é a lista dos dez albuns de 2007, dentro de um género de música, que mais ouvi e que mais gostei.

Arcade Fire - Neon Bible

Au Revoir Simone - The Bird of Music

Basia Bulat - Oh, My Darling

Beirut - The Flying Club Cup

Blonde Redhead - 23

Editors - An End Has a Start

Interpol - Our Love to Admire

Radiohead - In Rainbows

The Hours - Narcissus Road

The National - Boxer


quinta-feira

É um espaço para exorcizar o ego, e ao mesmo tempo, ou por isso mesmo; Um espaço para exercitar o “voyerismo”, sendo assim e porque escrevo num blog, tenho vontade de tentar misturar as coisas, penetrar nelas e volvê-las, senti-las e saboreá-las.
Se é um espaço para exorcizar os egos, vou desabafar, dizer tudo o que me apetecer, tudo o que chegar à minha cabeça e dela conseguir chegar aos dedos do teclado, sobre ti. Sim sobre tu que lês, não penses que não sinto que lês, eu sei que lês. E é mesmo sobre ti que vou desabafar. Por isto quero conseguir misturar, o exorcismo do meu ego com o extremo prazer do “voyer” que sente ser para ele, a acção.


Quero que apareças na minha vida, ao acaso. E desta vez quero beijar-te.


Preciso olhar nos teus olhos e finalmente sentir amor, carinho e paz.


Sei que temos que falar, não sei que te diga neste momento.


Devíamos ter feito amor um com o outro, hoje estávamos mais próximos.


Se por um segundo conseguisses ver-te, como eu te vejo. Acreditavas na minha paixão.


Foi conturbado o nosso encontro, sinto que estás feliz e gosto disso.


Não entendo o porquê de não conseguir chegar a ti, nem te permitir aqui chegar.


Tenho mesmo muitas saudades tuas, isso é bom, é sinal que foste mesmo muito para mim.


Foi bom dançar contigo.


Quase tudo o que vivi contigo foi uma chatice.


Sei, sinto e acredito que vais estar sempre por perto, e a distância é proporcional.


Fomos amadores, estúpidos, incompetentes, inconsequentes, perdulários, infantis, apaixonados, inseguros, náufragos, sobreviventes, meninos e meninas, um, dois, três, nenhum. E desencontramo-nos.


Já passou imenso tempo desde da última vez que te vi sorrir.


Se a tua irmã, ui, se a tua irmã se tivesse apaixonado por mim, ui, nem sei.


Acho que o momento em que tivemos mais próximos foi no encontro furtivo no comboio da CP em direcção a Cascais, tenho a sensação que nunca tínhamos estado apenas os dois.


É difi-ficil, mas a vida é contínua, e por isso mesmo continua, Verdade estúpida, é assim mesmo a vida.


É difícil mas tu sabes que vale a pena a luta, porque estás do teu lado, porque fazes tudo o que consegues. É complicado não nos irmos a baixo quando parece, parece, parece que tudo corre mal. Tu restas-te, e continuas, é difícil mas tu sabes que vale a pena. O que dizem? São cobardes.


Ainda não nos conhecemos, mas a curiosidade é recíproca.

quarta-feira

Como sou gago, sempre tentei e ultimamente consigo, viver a minha vida apaixonado, este samba de Noel Rosa de 1930, encanta-me.





Mu-mulher, em mim tu fizeste um estrago
Eu de nervoso tou fi-fi-fi-fi-fi-fi-fi-fi-fi-fi-fi-fi-ficando gago
Mal po-posso com a crueldade da saudade
Que maldade, que maldade, vivo sem afago, sem afago.

Teu teu coração tu tu me entregaste
Mas depois de mim tu toma-ma tu toma-maste
Só só por ter sofri-fri-fri-fri-frido
Tu tu tu tu tu tu tu tens
Um Coração fi-fi-fingido.

Tem pena tem pena tem pena deste moribundo
Que já virou vaga-gaga-vaga-vagabundo
A tua falsidade é profu-funda
Tu tu tu tu tu tu vais
Tu vais ficar corcunda!

Teu coração tu tu tu me entregaste
Mas depois de mim tu toma-ma tu toma-maste
A tua falsidade é profu-funda
Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu vais
Tu vais ficar corcunda!!

Tu tu tu tu tu tu tu tu tu vais
Tu vais ficar corcunda!!

Tu tu tu tu tu tu tu tu tu vais
Tu vais ficar corcunda!!

Gosto mesmo de Vespas


Quiz musical #04
dificuldade=3/5

"(...)
Eu gosto dos que têm fome
dos que morrem de vontade
dos que secam de desejo
dos que ardem..."

terça-feira

Sinopse de Manuela, Cravo e Canela.

Manuela, Cravo e Canela é uma pequena novela que narra a história, por vezes atribulada, por vezes dramática, por vezes desastrosa, outras vezes alegre, algumas vezes com prazer; de uma brasileira caipira que vem de uma terra no interior do Brasil com uma mala à frente e outra atrás, para Portugal.
É uma novela tri-legal!

segunda-feira

Vai ter inicio uma nova novela!
Manuela, Cravo e Canela.




Quando eu vim para esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Manuela
Manuela ê meus camaradas
Eu nasci assim eu cresci assim e sou mesmo sim
Vou ser sempre assim Manuela, sempre Manuela
Quem me baptizou quem me nomeou
Pouco me importou é assim que eu sou
Manuela sempre Manuela

Quando eu vim para esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Manuela
Manuela ê meus camaradas
Eu nasci assim eu cresci assim e sou mesmo sim
Vou ser sempre assim Manuela, sempre Manuela
Quem me baptizou quem me nomeou
Pouco me importou é assim que eu sou
Manuela sempre Manuela

Manuela sempre Manuela
Eu nasci assim eu cresci assim e sou mesmo sim
Vou ser sempre assim Manuela, sempre Manuela

Eu sou sempre igual não desejo o mal
Amo o natural etc e tal

Quiz musical #03
dificuldade=2/5

"(...)
The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return"

sexta-feira

Afinal de contas um pouco de narcisismo não fica mal a ninguém!

Pois Café

Quiz musical #2
dificuldade=4/5

"(...)
Je te le jure
tu as ma parole
je te dis la vérité
je t'explique cequi s'est passé
dis moi je ne suis pas si conne
tu es comme moi comme moi
je te dis la vérité
j'en suis bien fachée(...)"

quinta-feira










foto histórica, retrato do tempo em que ainda existiam dentes.

A doida mais doida que eu em acrobacias!



A prenda que a doida mais doida que eu, precisa!!




Hoje uma pérola linda e desdentada faz sete anos.

Eram cinco da tarde de um dia, numa altura em que tinha duas tardes livres por semana, não ia ao atelier e ficava em casa a dar explicações, ganhava muito mais dinheiro nessas duas tardes do que na semana inteira no atelier e assim ainda tinha duas tardes por semana em que podia ir buscar as doidas à escola.
Nessa tarde não estava nos meus melhores dias, nem me lembro muito bem porquê, mas também eu tenho cá uma tendência para não estar nos dias que são meus, ou porque a explicação correu mal, ou porque ela isto ou porque ela aquilo, ou porque o Benfica não joga nada à bola, ou devido a outra coisa qualquer sem importância nenhuma.
Chego à escola, a funcionária desconfia de que eu tenha autorização para levar as miúdas, era a primeira vez que me via, tem a atitude correcta, pede-me para ir falar à directora, a coisa lá se resolve com um telefonema para a minha irmã. E eu que já não estava nos meus dias, ainda fico mais mal disposto, estupidamente.
Vejo que a doida mais doida que eu, não vem com boa cara, parece chateada com a irmã mais velha.
Entramos os três no carro, cadeirinhas no sítio, cintos de segurança colocados, estamos prontos para a grande viagem de cinco minutos, arranco, não estava para grandes conversas.

- dá-me essa garrafa!!
- não dou.

- mas eu quero a garrafa.
- mas eu não quero te dar.

- mas preciso da garrafa!!!
estás a ouvir?
eu preciso da garrafa.

Depois de ter ouvido a palavra preciso umas quantas vezes, rebentei.

- porra já chega, tu não precisas coisa nenhuma dessa garrafa, tu só precisas de um lugar abrigado para dormir, de alguma coisa para comer e beber, e de um lugar para cagar e fazer xixi, não precisas de mais nada!!!

Trinta segundos de silêncio dentro do carro.

- estás enganado!!!

Olha-me esta, com cinco anos de idade a dizer-me que estou enganado, é que não me faltava mais nada. Olho pelo espelho retrovisor nos olhos dela, a segurança e certeza do seu olhar desarma-me.

- então estou enganado porquê?

- também precisas de amigos!!

Paro o carro de imediato, e num só movimento, tiro o cinto de segurança e salto para o banco de trás, encharco a doida de beijos e abraços e digo-lhe que ela tem toda a razão, eu é que andava enganado.

Obrigado e Parabéns, doida mais doida que eu.

Quiz musical #1
(consiste em descobrir a música e o autor de um excerto de uma letra)
dificuldade = 1/5

"(...)
How can they look into my eyes
And still they don't believe me?
How can they hear me say those words
Still they don't believe me?
And if they don't believe me now
Will they ever believe me?

(...)"

LIÇÕES QUE APRENDO DEPRESSA #01
PARA PERGUNTAS MESMO MUITO ESTUPIDAS, RESPOSTAS MESMO MUITO CURTAS.

quarta-feira

Ontem, perguntaram-me se eu gosto de Vinícius de Moraes.
A resposta foi sim é claro. Hoje voltei ao poeta, e surgiu uma pergunta em mim, será possível não gostar da poesia deste senhor e da música que a partir dela foi feita, quer por ele quer por seus parceiros, como ele gostava de chamar os seus amigos e companheiros de vida.
O documentário sobre a sua vida é maravilhoso, vale mesmo muito a pena ver.
Coloco aqui uma música dele de entre muitas que poderia colocar, não só porque gosto muito dela e do poema mas também porque gosto da forma como ele chama o pianista, no início, para tocar com ele.
Publico também uma imagem de um manuscrito, de um dos poemas mais belos que conheço do Vinícius de Moraes, obrigado por tuas palavras.







Para morrer basta mesmo, apenas estar vivo. Hoje morreram três mosquitos no vidro do carro em 30klm de auto-estrada, entre muitas outras realidades que estando vivas podem ter morrido hoje também. Paz para todos.

terça-feira

Apesar de não parecer, não esqueças que as aparências enganam e nem tudo o que escrevo aqui é pessoal ou tangível. Muito do que escrevo por aqui é ficção, são partes de um outro todo qualquer. E qualquer semelhança com a realidade pode ser mera coincidência, às vezes não.
Sinto alguma tristeza por existirem muitas mais pessoas que vêm aqui apenas passar os olhos, na verdade muitos dos textos que aqui publico têm como intenção tentar gerar algum diálogo sobre os mesmos, pode ser abuso da minha parte, pode até ser egoísmo, ou simplesmente completa esperança ilusória, mas é esta a intenção da maior parte do que aqui coloco, tentar perceber através dos comentários de quem me lê, afinal como é que sou lido e de que forma o outro sente e entende o que escrevo.
O Problema é que tenho uma percentagem muito pequena de comentários comparado com o número de visitas, penso que sucede o mesmo em quase todos os blogs, talvez não o da Radar onde existem pessoas que por cada visita depositam por lá uns dez comentários de cada vez. A dizer a cor das cuecas e o número de pingos de chuva que caíram ontem, entre outras inutilidades do género.
Não me considero escritor de nada, penso mesmo que não tenho muito jeito para a coisa, dou imensos erros ortográficos e gramaticais, trato mal a língua portuguesa e se há alguém que não merece de forma nenhuma ser mal tratada por mim é a língua portuguesa. Mas gosto de escrever, gosto de tentar colocar em palavras o que sinto, o que imagino, o que vislumbro, o que observo, o que vivo e o que imagino que se pode viver. Gosto da palavra.
Podes questionar de que forma vou usar ou não usar os teus comentários por aqui, mas essa pergunta é em parte ridícula, não tenhamos duvidas de que todos nos influenciamos a todos, que estamos todos interligados e que mesmo sem palavras basta existir qualquer tipo de proximidade para nos relacionarmos de alguma forma e assim, ao existirmos na vida uns dos outros, nos influenciarmos. É óbvio que a tua presença vai sempre actuar na minha escrita, na minha maneira de ver, pensar e sentir o mundo.
Chego a pensar que só estamos aqui e agora para isso mesmo, para nos relacionarmos, para nos encontrarmos e para partilharmos a nossa vida uns com os outros.
Depois, quase diariamente, alguém me afirma eu ser uma pessoa que pensa e fala demais, e eu já acredito nisso, de tanto o ouvir depressa cheguei à conclusão que pela lei da probabilidade, é muito mais provável que a maioria tenha razão. E então talvez o melhor seja começar a pensar menos, falar menos e escrever menos.

segunda-feira







Eram cinco para as cinco da manhã, acorda afogado em suor, precisa de água. Lá fora a água finalmente surge do céu com o seu cheiro e a sua música. Levanta-se vai até à cozinha e bebe um copo de água cheio sem respirar. O chão está frio, nunca dorme vestido e as pantufas estão encaixotadas noutro lugar. Vai nu e descalço. Acordou com a respiração ofegante, estava a ter um pesadelo, fugia mas não se lembra bem de quem, estranho, sente que fugia de si mesmo mas estava sempre no mesmo lugar, perseguia-se a si mesmo, e esse ele perseguidor estava parado sempre no mesmo lugar também, a dois metros, dois passos, dois momentos.
Às cinco da manhã entraste no meu sonho, com o teu corpo pequeno e redondo, moreno e belo. Sonhado assim. Cessaste a perseguição, com um simples sorriso, um toque, um vestido que cai ao chão, um corpo vislumbrado desnudado, uma pele de caramelo suave, quente, um cheiro envolvente.
O ele perseguidor e o ele fugitivo finalmente encontrados dentro de ti.
Dormiu descansado até às nove da manhã, acordou com apetite, voltou à água, agora quente, que cai sobre o seu corpo atordoado.


ânimo leve, e que bom é estar de ânimo leve, erguido, sem andar cabisbaixo, curvado pelo peso do ânimo pesado. expressão contraditória no meu ponto de vista. quem dera poder sempre fazer as coisas de ânimo leve, quem dera fazer sempre o que desejo, como quero, sem com isso prejudicar ou magoar os outros.

- não penses mais nisso, vais ver que ele fez isso de ânimo leve.

dizem que fazer as coisas de ânimo leve é fazê-las sem pensar nas consequências, e é tão bom fazer um monte de coisas sem pensar no: e depois?. e tão bom seria se as consequências fossem sempre boas. na interligação evidente dos eventos, na relação mais que íntima entre causas e efeitos, existem aqueles momentos, os momentos onde o ânimo está tão leve que até o corpo flutua.

Porque é que mais vale 1 na mão do que 2 a voar?

sexta-feira

The Pillow Book
Peter Greenaway





Toda a vida fiz cabulas, nunca as usei. Fazia cabulas para estudar, fazia cabulas para memorizar, depois, nos testes, ao invés de ir buscar as cabulas lembrava-me perfeitamente em que parte da mesma tinha escrito e o que tinha escrito nela, respondia às perguntas.
Quero escrever-te o corpo todo, o acto de escrever é libertador para mim, entrego-me de corpo e alma ao acto de escrever, ao escrever vivo e ao escrever ajudo a minha memória a arrumar as coisas no seu devido lugar, um lugar belo e de fácil acesso para mim.Quero escrever-te toda, guardar as nossas palavras na memória da tua pele, senti-la arrepiar-se ao toque do adjectivo, sentir-te estremecer na vibração do verbo, pousar junto a ti no planar das reticencias terminadas no teu umbigo.

quinta-feira

LOST HIGHWAY
Um filme que me marcou muito, que vi várias vezes já, sobre o qual já tive maravilhosas conversas.
Este Sábado, David Linch vai estar no centro de congressos do Casino Estoril para falar sobre a arte, a vida e a meditação transcendental, vou tentar estar presente.
Acho curioso ser no dia que tenho marcado para fazer a mudança para a casa nova, o regresso ao lugar onde vivi toda a minha infância e juventude e onde já não vivo há oito anos.


Tagarela. Fala-barato. Desbocado. Linguareiro. Inconveniente. Fala pelos cotovelos. Linguarudo. Falador. Verboso. Declamador. Mexeriqueiro. Coscuvilheiro. Loquaz. Palrador. Indiscreto. Orador. Enfático. Exagerado. Mas Gago.

quarta-feira

extravaganza, Consegui!!


Como eu gosto disto, então a versão que a extravaganza tem em casa!!!


Ainda não tinha colocado aqui no meu diário, virtual, um pequeno apontamento sobre a música de um senhor que admiro e ouço muito, tirando o Tom Waits que também ainda não apareceu por aqui, acho que é o compositor de quem tenho mais CD's.
John Cale






terça-feira

Lisbela e o Prisioneiro


Romance e Poesia!
Combinação perfeita







Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar

E nesse desespero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar


segunda-feira

Por vezes sinto-me um verdadeiro Tarzan, o original foi recolhido e educado por um bando de gorilas, eu por um bando de fémeas!

Uma noite de 6ªfeira à maneira.
Causa Efeito, Consequência Causa, Efeito Consequência, Causa.
A interdependência é tão óbvia, é tão simples sentir e perceber que tudo está interligado e que sempre algo leva a alguma coisa que por sua vez faz algo acontecer.
Em consequência a uma gripe, das antigas, que me apanhou, como já não era apanhado há muito tempo. Passei uma noite de sexta-feira em casa.
Uma opinião especializada disse-me que a minha gripe, por sua vez, era consequência de eu não comer fruta há algum tempo, mas tem sido tão difícil encontrar boa fruta, e quando a encontro não consigo lhe deitar a mão.
Passei a noite de sexta-feira em casa a ver televisão, e em consequência disso, tive a perplexidade de assistir a um programa de seu nome: Doutor preciso de ajuda. Programa extraordinário, que me abriu todo um novo horizonte para uma realidade que já mais tinha imaginado existir.
Em consequência a essa perplexidade, ideias começaram a surgir em mim.
Penso que o programa tem qualidade mais que suficiente para criar escola, assim mais ou menos como o C.S.I., que deu origem ao C.S.I Miami e que bem poderia influenciar o C.S.I. Moscavide.
Assim, deixo aqui algumas sugestões para outros programas do género:

- Contabilista, Preciso de Ajuda – seria um programa onde pessoas individuais ou colectivas, que queiram fugir aos impostos, e quando digo fugir obviamente estou apenas a dizer pagar menos que o justo e legal, encontrariam ajuda especializada para atingir esse fim. Poderia existir sempre também o funcionário da repartição que é facilmente subornável, entre muitas outras situações de interesse que iriam certamente agradar ao público e assim dar audiência.

- Advogado, Preciso de Ajuda – na mesma linha de raciocínio seria um programa onde pessoas que queiram se safar à justiça encontrariam o apoio necessário. Poderia servir também para aproximar os cidadãos do sistema judicial e melhorar a imagem do mesmo nos portugueses. Afinal a justiça não é uma pobre coitada ceguinha que caminha tão devagar que nunca apanha ninguém que saiba correr e se esconder, mas que quando apanha os desprevenidos é implacável.

- Padeiro, Preciso de Ajuda – seria um programa onde as pessoas que já não aguentam mais, comer pão quadrado, seriam ajudadas a encontrar os lugares ideias para adquirir pão amorfo e onde até poderiam aprender a fazer bom pão com uma forma qualquer.

- Assassino, Preciso de Ajuda – Queres ver-te livre do patrão? Queres que a tua mulher desapareça de vez? Já não suportas mais a tua sogra? Queres-te vingar do porteiro daquela discoteca? Vem ao Assassino, Preciso de Ajuda.

- Puta, Preciso de Ajuda – não carece explicação.

- Deus, Preciso de Ajuda – não pode ter explicação

- Arbitro, Preciso de Ajuda – toda a gente sabe a explicação.

- Anti-Pulgas, Preciso de Ajuda – programa dedicado a quem é estúpido o suficiente para dormir com o cão.

- Querida, Precisas de Ajuda?

Existe algo, que sou obrigado, por mim mesmo, a admitir: JÁ NÃO FESTEJAVA 11 GOLOS EM 1 JORNADA HÁ MUITO TEMPO!!!

sexta-feira

"Homem pequenino, ou velhaco ou bailarino"

Estou tão doentinho... e ninguém cuida de mim!!










quinta-feira

Tenho dias assim, não me apetece falar com niguém, só contigo.

Tonight We Fly!




Tonight we fly
Over the houses
The streets and the trees
Over the dogs down below
They'll bark at our shadows
As we float by on the breeze
Tonight we fly
Over the chimney tops
Skylights and slates
Looking into all your lives
And wondering why
Happiness is so hard to find
Over the doctor, over the soldier
Over the farmer, over the poacher
Over the preacher, over the gambler
Over the teacher, over the rambler
Over the lawyer, over the dancer
Over the voyeur,over the builder and the destroyer,
Over the hills and far away
Tonight we fly
Over the mountains
The beach and the sea
Over the friends that we've known
And those that we now know
And those who we've yet to meet
And when we die
Oh, will we be
That disappointed
Or sad
If heaven doesn't exist
What will we have missed
This life is the best we've ever had

quarta-feira

Estarei a ficar doido? Ou é apenas uma questão de ignorância? Tenho um palpite que ninguém vai acreditar em mim, mas posso provar que é verdade o que vou passar a contar.
O meu telemóvel está muito estranho, tem sido fonte de grande inspiração para o que ando a escrever e a viver, mas existe certa pessoa que sempre que me envia uma mensagem, eu ao invés de receber uma, recebo cinco. Já aconteceu várias vezes, na verdade a primeira mensagem que recebi dela, veio sozinha, mas a segunda veio acompanhada da primeira. Li a primeira primeiro e pensei: esta rapariga não anda bem, então manda-me a mesma mensagem outra vez? E depois li a segunda, essa sim nova. Ao ler a segunda mensagem, a cópia que tinha recebido da primeira apagou-se sozinha.
Ao receber a terceira mensagem, ela vinha acompanhada das duas primeiras, que voltei a ler e ao ler a terceira, essa sim nova, as duas cópias desapareceram.
Assim acontece até ao número cinco, agora quando recebo uma mensagem dela vem acompanhada das quatro anteriores, como sou um rapaz um pouco doido, não sou capaz de não ir confirmar se são mesmo cinco mensagens novas ou se é mais uma vez as cenas dos capítulos anteriores, tem sido sempre as cenas dos capítulos anteriores e isto é muito estranho, parece que ando a viver as mesmas coisas, três e quatro vezes, depois não admira que as sinta viver com uma intensidade exagerada.
Isto será algum serviço de uma operadora? As cenas dos capítulos anteriores.
Será que também existe as cenas dos próximos capítulos?

terça-feira

Quando o elevador começou a subir, eu pensei que iria ficar sentado no largo do poeta zarolho à tua espera. E esperaria, coisa que odeio fazer, mas fazia, esperaria até mais que os quinze minutos de regra.
Iria ficar sentado na escadaria da estátua do poeta, por incrível que pareça, das poucas estátuas desta cidade que não olha em direcção ao Tejo, mas o poeta era zarolho, compreende-se. Iria ficar virado na mesma direcção que ele, para a saída do metro da Baixa Chiado, pressentia que seria dai que virias e queria ver-te caminhar do Chiado ao Bairro Alto.
Pode ser um momento de rara beleza observar uma mulher caminhar, e a forma como caminhas diz sempre muito de ti.
O carro ficou no piso -3 e não posso afirmar com certeza quanto tempo o elevador levou a fazer a viagem, posso no entanto afirmar que das mil e uma maneiras que te imaginei, vires do Pessoa ao Camões ao meu encontro, em todas elas estavas bela e caminhavas com poesia.
Mas depois a porta do elevador abriu, e tu já lá estavas. A trinta passos de mim, com o poeta zarolho entre nós.
Não vi o largo, não vi os poetas, não vi a noite, não vi ninguém, assim que a porta abriu, vi-te, a ti.
Vi, afinal seria tudo ao contrário, fui eu que caminhei ao teu encontro, a meio caminho olhei o poeta por segundos e voltei a olhar para ti, estavas de braços cruzados, olhavas directamente e aparentemente fixamente para mim, assim que a porta abriu.
Sorriste.
Por mais que imagine como vai ser a realidade, ela teima sempre em ser diferente daquilo que imagino, algumas vezes teima em ser muito melhor.