segunda-feira



"Antichrist Television Blues" - ARCADE FIRE

I don't wanna work in a building downtown
No I don't wanna work in a building downtown
I don't know what I'm gonna do
Cause the planes keep crashing always two by two
I don't wanna work in a building downtown
No I don't wanna see when the planes hit the ground

I don't wanna work in a building downtown
I don't wanna work in a building downtown
Parking their cars in the underground
Their voices when they scream, well they make no sound
I wanna see the cities rust
And the troublemakers riding on the back of the bus

Dear God, I'm a good Christian man
In your glory, I know you understand
That you gotta work hard and you gotta get paid
My girl's 13 but she don't act her age
She can sing like a bird in a cage
O Lord, if you could see her when she's up on that stage!

You know that I'm a God-fearing man
You know that I'm a God-fearing man
But I just gotta know if it's part of your plan
To seat my daughters there by your right hand
I know that you'll do what's right, Lord
For they are the lanterns and you are the light

Now I'm overcome
By the light of day
My lips are near but my heart is far away
Tell me what to say
I'll be your mouthpiece!

Into the light of a bridge that burns
As I drive from the city with the money that I earned
Into the black of a starless sky
I'm staring into nothing
and I'm asking you why
Lord, will you make her a star
So the world can see who you really are?

Little girl, you're old enough to understand
That you'll always be a stranger in a strange, strange land
The men are gonna come when you're fast asleep
So you better just stay close and hold onto me
If my little mocking bird don't sing
Then daddy won't buy her no diamond ring

Dear God, would you send me a child?
Oh! God, would you send me a child
Cause I wanna put it up on the TV screen
So the world can see what your true word means
Lord, would you send me a sign
Cause I just gotta know if I'm wasting my time!

Now I'm overcome
By the light of day
My lips are near but my heart is far away
Now the war is won
How come nothing tastes good?

You're such a sensitive child!
Oh! You're such a sensitive child!
I know you're tired but it's alright
I just need you to sing for me tonight
You're gonna have your day in the sun
You know God loves the sensitive ones

Oh! My little bird in a cage!
Oh! My little bird in a cage!
I need you to get up for me, up on that stage
And show the men that you're old for your age
Now ain't the time for fear
But if you don't take it, it'll disappear!

Oh! My little mocking bird sing!
Oh! My little mocking bird sing!
I need you to get up on that stage for me, honey
And show the men it's not about the money

Wanna hold a mirror up to the world
So that they can see themselves inside my little girl!

Do you know where I was at your age?
Any idea where I was at your age?
I was working downtown for the minimum wage
And I'm not gonna let you just throw it all away!
I'm through being cute, I'm through being nice
O tell me, Lord, am I the Antichrist?!

sexta-feira

"A palavra foi dada ao homem para esconder o seu pensamento"
(Stendhal)

"A Verdade é uma mentira que já aconteceu.
A Mentira é uma verdade por acontecer."
(Sr.Grisalho)

Ninguém, que conheça ou imagine, teria paciência para me acompanhar.
Sou um ser complicado e solitário, não gosto que escolham por mim.
E simplesmente não espero.
Por vezes penso.
Por que raio me sinto superior?
Não me sinto superior, Sou superior.
A tudo e a todos, ninguém me atinge.
Sou superior às minhas palavras, ideias.
Sou superior aos meus sentimentos.
E estas palavras não são ideia, ou pensamento, são constatação.
Constatação de um facto, durante muito tempo negado.
Eu sou maior do que o Mundo.

quinta-feira

Black Trombone - Serge Gainsbourg

Black trombone
Monotone
Le trombone
C'est joli
Tourbillonne
Gramophone
Et baîllonne
Mon ennui
Black trombone
Monotone
Autochtone
De la nuit
Dieu pardonne
La mignonne
Qui fredonne
Dans mon lit
Black trombone
Monotone
Elle se donne
à demi
Nue, frissone
Déraisonne
M'empoisonne
M'envahit
Black trombone
Monotone
C'est l'automne
De ma vie
Plus personne
Ne m'étonne
J'abandonne
C'est fini

Love Too Soon - Pascal Comelade & PJ Harvey

I have loved
In my life
As a child
I often cried

And love too soon
Can fade away
Love too soon
Can fail away

In the sun
Light of day
I can see
Your face change

And love too soon
Faze away
Love too soon
Can fail away

And this dreadful crime to see
Breaks my heart
Into pieces

Love too soon
Can fade away
Love too soon
Can fail away

How false the heart
How false the day
When you swore your love
The branches now decay

Love too soon
I'm faze away
Love too soon
I'm faze away

Passei uma tarde na garagem, mexi em tudo.
Já fui ao sótão três vezes, abri e fechei tudo o que tinha interior.
Nenhuma das três arrecadações cá de casa ficou imune à minha observação meticulosa.
Toda e qualquer gaveta ficou com o fundo virado para o cimo.
Mas não há maneira de encontrar o meu Faz de Conta.
Mas Faz de Conta que encontrei.

quarta-feira

Não quer dizer nada.
Desconfia não ser ouvido.
Os surdos ouvem por gestos.
Está cansado, quer parar.
Não existe ao seu redor.
Ninguém o vê, mesmo que na sua direcção olhe.
É libertador, as crianças brincam e gritam à minha esquerda.
Ele pode berrar, à vontade, basta não abrir a boca.
Mesmo que a escancarasse, o berro que se ouviria aqui, nunca seria o grito que carrega.
Está incapaz de se relacionar com a realidade.
Tudo é simplesmente muito impessoal, estranho e ao mesmo tempo, claro, obvio e certo.
Quem está mal?
Muda-se!
E isso tem sido o verdadeiro desafio, a mais completa dificuldade.
Mudar.
Os defeitos continuam os mesmos.
As qualidades, tem conseguido muda-las, para pior.
Continua a gaguejar ao telefone.
Mas agora já não fala ao telefone e brinca com isso.
Escreve mensagens e não brinca com isso.

A sua vida agora, resume-se a isto.
Deixar escorrer tinta azul, em papel branco.
Palavras inconsequentes
Ideias esdrúxulas
Conceitos banais
Melodramas injustificáveis
Ficções vividas
Solidões tangíveis
Resignações
A sua vida agora não se resume a escrever.
A sua vida agora resume-se a esquecer.

Gosta muito de falar, mas anda calado e gosta ainda mais, ser ouvido.
Gosta de escrever, mas escreve principalmente para ser lido, e gosta muito mais de ler o que escreve, do que escrever o que lê.
Gosta de observar mas vive com a ilusão de estar sempre a ser observado e isso dá-lhe um imenso prazer.
É narciso, apesar de não gostar muito dele.

Está literalmente sozinho.
Sozinho.

E de súbito o encontro furtivo começa a surgir na sua vida, já se sentiu completamente isolado.
O passeio está húmido, molhado mesmo. Chove em Lisboa, faz três horas que começou a ameaçar mas ameaçou por pouco tempo, mal ameaçou, agiu. Quase nem esperou para ver a reacção à ameaça.
O passeio é estreito, dois seres humanos, na nossa escala. Nem grandes nem pequenos, vistos de fora. Para não se tocarem, para garantir isso, algum deles terá que pisar a estrada, cinzenta e brilhante, que reflecte o teu céu, cinzento num fundo preto.
Faltam cinco metros para chegarem ao momento da decisão, mas nenhum deles se apercebeu disso, iam ambos a caminhar num outro passeio qualquer e nesse, nem um nem outro existiam mutuamente.
Um
Dois
Três
Quatro
Deixaram para o derradeiro metro a decisão, para o último segundo, para o momento presente. Porque um momento não é feito só de tempo, é feito de espaço também. Não podemos falar de adiar, nem um nem outro estavam a adiar nada, nem um nem outro existiam fora do seu próprio passeio.
Chocaram.
Já era noite, mas foi como se tivessem acabado de acordar, o olhar de desculpa que lançaram um ou outro, nos olhos tinham um tom de alvorada. Vinham os dois adormecidos e ao chocarem formam forçados a acordar por instantes. Depois voltaram a adormecer, neste sono constante em que vivemos, mas sonharam um com o outro.
Sonharam um com o outro.

quinta-feira

"I must go on standing
You can't break that which isn't yours
I, oh, must go on standing
I'm not my own, it's not my choice"

Regina Spektor



quarta-feira

"O simples facto de existir na vida dos outros
Pesa-me

O simples facto de alguém se preocupar comigo
Angustia-me

O simples facto de alguém pensar em mim
Preocupa-me

O simples facto de condicionar a vida dos outros
Corroi-me

O simples facto de alguém me Amar
Sufoca-me... mas não me mata

Agora

O simples facto de sequer supor imaginar

Que ninguém pensa em mim
Que ninguém chora por mim
Que não existo na vida de ninguém
Que ninguém se preocupa comigo
Que ninguém me Ama

Nesse momento sim, sei que me sentirei Morto"


Luís Severo (1998)

Lisbon Revisited (1923)

"Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas só tenho técnica dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direto a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo. ouviram?


Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, cotidiano e tributável?
Queriam o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes a todos a vontade.
Assim como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havermos de ir juntos?


Não me peguem pelo braço!
Não gosto que me peguem pelo braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul - o mesmo da minha infância -
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!"

ÁLVARO de CAMPOS

sexta-feira




“esperar é reconhecer-se incompleto”

(Rosa, Guimarães)

Esperei uma hora por um 738, que não apareceu, apanhei um 720, que não me levava ao meu destino. A conclusão de que a Carris não presta um bom serviço, bem como não presta para nada, é clara e inevitável.

Não gosto de esperar, nunca gostei. Sei bem que sou muito incompleto, não gosto é de reconhecer constantemente isso.

Mas para te encontrar!
meu Amor desconhecido,
esperaria e espero por qualquer número,
o tempo que demorar,
e quando o encontro acontecer,
vou simplesmente te Amar.
Vou deixar de esperar.

"Eu Gosto do teu entusiasmo!!"


quarta-feira

"You get a job. You become the job."

in TAXI DRIVER

Listen, you fuckers, you screwheads. Here is a man who would not take it anymore. A man who stood up against the scum, the cunts, the dogs, the filth, the shit. Here is a man who stood up.



O Querer do dia, é ser um TAXI.
Saber fazer do Destino do Passageiro
Um Objectivo, uma Meta.

Conseguir fazer do Rumo do Outro.
O meu C
aminho.

Ter Bandeirada.

Andar por aí, a levar o Outro ao seu Lugar.

Deitar conversa fora, e ser alvo da critica.

Ser Preto e Verde.







sábado

Parece Impossível !?!

Frase fabulosa, importante e a não esquecer, em qualquer altura pode ser utilizada, sempre que não sabes do que se está a falar e sentes que é importante dizeres alguma coisa. Parece Impossível resulta, encaixa.

Dialogo 1
-Então o jantar está bom?

-Parece impossível.
-Parece impossível?
-Bom, Parece mas não é!!


Dialogo 2
-bla, bla,bla... e depois ainda me disse para ir pentear macacos!

-Parece impossível!
-é não é?
-é claro que sim!


Parece impossível, é a grande descoberta que fiz esta semana, parece impossível mas é verdade, parece impossível, Parece impossível...

sexta-feira


She Wants Revenge 3

I would like to tell you, I would like to say
That I knew that this would happen
That things would go this way
But I cannot deceive you, this was never planned
I know that you're the right girl but do you think that I am the right man?

1...2...3...4,5,6,7,
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
(but I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
(I don't wanna)

You say it's not a problem, You say it's meant to be
But love is not an option, our love is never free
And things are not so easy, so cold and we've been burned
I know that I'll have regrets but that's the price of one more lesson learned

1..2..3...4,5,6,7,
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
(but I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
(I don't wanna)

Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
(I don't wanna fall in love)
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
(I don't wanna fall in love)
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Too late, so deep, better run cause
(I don't wanna fall in love)
Right face wrong time, she's sweet
(But I don't wanna fall in love)
Can't sleep, can't eat, can't think straight
(I don't wanna, I don't wanna, I don't wanna)

Tudo é Pouco
Pouco é Nada
e Nada pode ser Tudo
mas Tudo é Pouco

Bom é Razoável
Óptimo é Bom
mas Bom é Razoável
e Razoável é Mau

deixo-me ficar sozinho
com o meu Nada
e o Mau que é Óptimo de mim.

quinta-feira

Defendo a Pena de Morte!
Apenas para um Crime...
O Suicidio!!

sábado

“Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde

Vem a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite”

“Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde

Vem a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite”

“Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde

Vem a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite”
(Caetano Veloso)


O caminho parecia curto, é já ali. Pensava…
Afinal de contas, um mais um. Tinha em ideia, já ter partido à já algum tempo. Dois.
Afinal era claro, bastava olhar, nem sequer ver era necessário. Partido. Era já a forma e conteúdo de tudo o que me rodeava. Cinco.
Apesar de ter ouvido. Dá tempo ao tempo. Acção ridícula, essa de dar algo que não se tem, a alguém que é feito daquilo que damos, nem sequer tendo.
Como posso eu, dar o que não possuo a alguém que o possui e possui-me. A mim também!

Quando o Sr. Grisalho disse. Vai! Eu fui. Não sou.
Com a convicção que era, já ali. O Lugar. O meu Lugar.

Afinal não dei tempo, ao tempo. Mas o tempo levou, o tempo que tinha. A passar, raramente a marcar. A roubar o tempo que não tenho, que devo, que me devo. A mim mesmo me digo que tenho o dever de o restituir.
Mas como me roubaram o que não tinha. Roubado nunca fui.

Afinal o que importa? Poeta.

“É por ao alto a gola do peludo à saída da pastelaria, e lá fora! Ah! Lá fora, rir de tudo. Com o sorriso admirável, de quem sabe e gosta, ter lavados, e muitos dentes brancos à mostra.”

Nascemos, Vivemos, e Morrermos. No mesmo Lugar. Aqui e Agora.
O Sr. Grisalho, Esteve, Está, e Estará. Sempre no mesmo Tempo. Agora e Aqui.

À dias numa tasca com balcão de mármore. Sabes meu rapaz, foi esse Sr. que aos dezassete me fez Homem. Deu-me Dois pares de estalos. Quatro ao todo. E disse-me: Vou fazer de Ti um Homem. O Sr. Grisalho.

O que és, o que o espelho te mostra, o que vês naquilo que o espelho te mostra, o que fazes com o que vês daquilo que o espelho te mostra, e afinal ou principalmente, a forma como te mostras ao espelho que te mostra aquilo que és. Tu.

E todo o dia o sol levanta.

Se algum dia te acontecer como ao Quixote: “(…) mais a cansava a ela o meu cansaço, do que a descansava o descanso que eu lhe queria dar (…)” Então não esqueças. Vai!

quarta-feira

A Perfeição não Existe!
Eu vivo com essa consciência,
e com esse Objectivo!

terça-feira

nem só de She Wants Revenge se alimentam meus ouvidos...
um pouco de The Strokes, também é bom...

On The Other Side

"I'm tired of everyone I know
Of everyone I see
On the street
And on TV, yeah

On the other side
On the other side
Nobody's waiting for me
On the other side

I hate them all, I hate them all
I hate myself
For hating them
So drink some more
I'll love them all
I'll drink even more
I'll hate them even more than I did before

On the other side
On the other side
Nobody's waiting for me
On the other side

Here we go

I remember when you came
You taught me how to sing
Now, it seems so far away
You taught me how to sing

I'm tired of being so judgemental
Of everyone
I will not go to sleep
I will train my eyes to see
That my mind is this blood as a birch on a tree

On the other side
On the other side
I know what's waiting for me
On the other side

On the other side
On the other side
I know you're waiting for me
On the other side"

segunda-feira

O Tempo a marcar, que passa sempre, não espera, não adia, nunca adianta.
Não vale a pena, querer fazer do tempo outra coisa, outra coisa que não seja vivê-lo, Presente que existe, que está e é.
Esperar o Tempo ser certo, cair na espiral da ilusão.
Nada está para vir.
Tudo já passou.
Esperar ou adiar no Tempo, é sempre perder, perder Tempo.
O único que pode ser certo, o Presente.
Por vezes, quando pode ser sempre.
Algures, apesar de estar aqui.
Memórias, temos e são elas que nos formam,
Temos a forma que no Presente moldamos as nossas memórias.
A memória é uma argila, a argila de que somos feitos. Por isso o conceito, de maturidade. Por isso quantas mais memórias.
Mais matéria prima para nos criarmos, mais complicados nos tornamos, mais detalhados, mais pormenorizados, tantas vezes mais concretos, nítidos, por vezes mais verdadeiros.
Todo e qualquer Presente é passível de ser transformado em matéria e logo em argila.
Ao nos darmos por inteiro, sem reticencias...
Ao Presente.
Ao vivê-lo, com toda a essência e verdade, estamos a construir as memórias de amanhã.
Armazenar argila, que iremos utilizar, moldando-nos.
Principalmente nos momentos de dor e sofrimento.
Acabam por ser eles os instantes de maior produção.
Onde crescemos.
Quando nos recriamos e conhecemos.
Se passamos muito tempo sem nos darmos.
Quando o sofrimento aparece, ficamos quase sem matéria para crescer.
Corremos, o risco, de não mudar, não crescer, não evoluir, não aprender, não reconhecer.
Corremos, o risco, de ficar, ficar, ficar, na mesma, ficar, no Passado.

Temos algo, ..., até muito em comum!
Eu escrevo, pela mesma razão que Tu lês.
-Porque não gostamos da solidão.

Eu, dou-te Carinho. Tu... dás-me Razão!

sexta-feira

fotografia de Henri Cartier Bresson


O Senhor grisalho, o Passado, pode ser o mesmo que ele encontra.
Reencontra ao entrar no comboio, o mesmo que no café lhe diz.
Vai, lhe diz para ir, ir Viver, ir bem.
O mesmo que lhe dá gana, essa mesma gana que pouco durou.
Esse mesmo senhor, grisalho. O Passado, o Futuro.
À tua frente, atrás de ti, sempre Presente, o reflexo.
Esse mesmo senhor grisalho, a Força, o Tesão, a Consciência.
Esta consciência, esta memória, este tesão.
O Sonho, grisalho, de antigo, velho sonho.
O Sonho do encontro, de encontrar, de A encontrar.
A felicidade.
O Sonho do encontro, de encontrar, de O encontrar
O amor.

She Wants Revenge - 2
These Things

There is nothing to see here people keep moving on
Slowly their necks turn and then they're gone
No one cares when the show is done

Standing in line and its cold and you want to go
Remember a joke so you turn around
There is no one to listen so you laugh by yourself

Chorus:
I heard it's cold out, but her popsicle melts
She's in the bathroom, she pleasures herself
Says I'm a bad man, she's locking me out
It's cause of these things, it's cause of these things

Let make a fast plan, watch it burn to the ground
I try to whisper, so no one figures it out
I'm not a bad man, I'm just overwhelmed
It's cause of these things, it's cause of these things

The crowd on the street walks slowly, don't mind the rain
Lovers hold hands to numb the pain,
Gripping tightly to something that they will never own

And those by themselves by choice or by some reward
No mistakes only now you're bored
This is the time of your life but you just can't tell

Chorus (2.5X)


O livro chama-se Adeus, Tsugumi e acaba com a frase:
-Fica Bem.
Quantas vezes já ouvi esta frase, síntese genial.
Odeio a frase.
A mim, diz-me uma quantidade enorme de sentimentos que não gosto de ter, nem que nutram por mim.
É claramente uma despedida, envolta em alguma pena, preocupação e certeza da incapacidade de conseguirmos, ou podermos, ou mesmo querermos fazer algo para que o outro esteja, seja, exista e vá bem.
Se ir ou ficar fosse uma real opção, provavelmente mesmo assim, optaríamos sempre por ir.
A esperança é a ultima que morre e quem sabe a curiosidade seja a penúltima, ultima a abandonar a esperança, aí sim, quando sozinha, a esperança fica e morre.
Antes da esperança partir, ninguém fica, tudo está sempre em movimento, o constante devir.
Todas as pessoas que me disseram fica bem, mesmo que usem as palavras sem as sentir ou pensar, estavam a me dizer Adeus, nada quero ou consigo ou posso fazer para existir e crescer junto de ti. A esperança já morreu.
E eu não gosto de despedidas, nem da solidão, nem da morte e por ultimo ou finalmente Eu sou, não fico.

quarta-feira





“Durante 10anos, estivera protegida por algo como um grande véu, que tinha sido tecido numa única peça a partir de uma variedade de coisas distintas. Quem não tenta sair dele não se apercebe em absoluto do seu calor. Um véu a uma boa temperatura, justamente – ao ponto de nem sequer se perceber que se está dentro dele, enquanto não se está na situação de não poder voltar para trás. E esse véu era o mar, a cidade no seu conjunto, a família Yamamoto, a minha mãe, o meu pai que vive longe. Tudo isso me envolvia na altura com suavidade. Eu estou divertida e feliz em qualquer altura, mas por vezes fico nostálgica com memórias daquela época, ao ponto de estar triste e de me ser insuportável. Em alturas dessas, as imagens que mais tenho revivido têm sempre sido as de Tsugumi brincando com o cão na praia e de Yôko empurrando risonhamente a bicicleta e andando pelo caminho à noite”

(in Adeus, Tsugumi de Banana Yoshimotopág.32/33)

O Passado é esse senhor aí, atrás de ti!
Esse aí, à tua frente!
É sempre esse senhor, Grisalho, que se quer fazer Presente.
Por vezes presenteia-nos com sentimentos belos e bons, memórias quentes aconchegantes, abraça-nos.
Noutras alturas trás consigo uma cavalaria, uma infantaria, mutila-nos.
É guerra que quer, e muitas vezes parte de volta ao seu lugar deixando-nos moribundos.

segunda-feira

Um dia destes, fui buscar as minhas sobrinhas à escola.

Já no carro, em direcção a casa, uma e a outra começaram numa discussão sobre o precisar. Dizia a mais nova:

-Dá-me essa garrafa que eu preciso dela.

E insistia na questão do precisar.

Eu, que nunca gostei muito de discussões e ainda menos quando as mesmas trazem consigo uma subida drástica dos decibéis emitidos, decidi interferir de forma a dar por acabada a conversa. Normalmente, com elas, quando quero acabar com a conversa, opto por mensagens paradigmáticas ou paradoxais, elas ficam caladas por uns tempos a pensar na asneira que o tio doido disse, e quando desistem de pensar no assunto já não se lembram da discussão estúpida que estavam a ter.

E assim foi, para tentar dar por terminada a disputa sobre o precisar, disse para a mais nova:

-Sabes, tu só precisas de ar para respirar, água para beber, pão para comer, um lugar para te abrigares e vontade de fazer xixi e cocó. Mais nada. Por isso não estejas para aí a dizer que precisas de uma garrafa de plástico vazia.

Ela não ficou calada nem dois segundos, rematou:

-Estás enganado!!

-Estou enganado? Então porquê?

-Também precisas de Amigos.

E então fui eu que fiquei calado uns segundos, para lhe responder, depois de parar o carro e olhar para ela no banco de trás, olhos nos olhos.

-Sabes linda, tens toda a razão!

E é assim, estamos sempre todos a aprender com todos.

quinta-feira

She Wants Revenge - 1
Red Flags and Long Nights

"Sick of trying to find a way inside
Sick and tired of all the after
Sick of trying to find a way to slide
Even though it always ends in laughter
Its never hard to tell when things are done
She looked into my eyes and a voice said RUN
She says that i'm a mess but it's alright
Whether its 2 weeks, 2 years or just tonight

You can occupy my every sigh,
you can rent a space inside my mind
At least untill the price becomes too HIGH

I can find a reason that we should quit
I can find a reason to do it
I can find excuses for all my shit
She tells me just to work right through it

She's pretty and I like her but shes too well
Cuz I need red flags and long nights and she can tell
It's not that it's my fault it's just my style
Beginning with a look and then a smile

You can occupy my every sigh,
you can rent a space inside my mind
At least untill the price becomes too HIGH

She don't need a thing, she don't need saving or a lay
She's got all the friends around and you can hear them say:
He's not into you he's into the idea of
But little do they know that she's not through

You can occupy my every sigh,
you can rent a space inside my mind
At least untill the price becomes too HIGH"

Musica
mais uma paixão

Para a rádio Radar, melhor dizendo, para alguns ouvintes da rádio Radar, o album dos The Strokes, First Impressions of Earth, foi o melhor album do ano de 2006. É bom, não tenho problemas em dizê-lo. Mas para mim, não foi o melhor que conheci e que me tocou mais no ano que passou.
Conheci muita musica em 2006, ouvi mesmo muita musica no ano passado. Sempre tive e continuo a ter uma relação muito especial com a musica
, é o meu pequeno almoço, estou quase sempre a ouvir musica. A trabalhar, a tomar banho, a cozinhar, no carro, nos transportes. Para mim quase todas as ocasiões são boas para ouvir musica.
Da muita musica que conheci e que foi lançada em 2006, existe uma banda que adorei.

quarta-feira

"Ainda que a minha história fosse breve, muitas eram as recordações que, ao longo do caminho, vinham ao meu encontro. Mesmo que nunca mais voltasse a encontrar o meu Pai, ali, pelo menos, ele estava vivo. Uma descoberta que me enchia de alegria" (pág.63)

Ontem acabei de ler o Arco-Íris da escritora japonesa Banana Yoshimoto
Gostei muito do livro, aconteceu uma coisa, em mim rara. Comecei o a ler o livro faz já dois meses, mas parei a meio para ler o Livro do Haruki Murakami, que aliás já acabei também, e que mais tarde escrevo um pouco aqui no blog acerca. Depois de ter acabado a Crónica do Pasaro de Corda, voltei ao Arco-Íris, dei uma vista de olhos na diagonal pelo que já tinha lido, e veio tudo à memória. Assim sendo, segui na leitura no lugar onde o cartão do John Bull se encontrava, a ultima vez que tinha lido o livro deveria estar a beber um whisky em Cascais.
Terminei ontem o livro num café do Largo Camões em Lisboa, depois de terminar, parei um pouco para pensar, vislumbrei o passado, sem dor, sonhei com o futuro sem presa ou espectativas e escrevi na ultima página do livro:

Não vale a pena a procura, muito menos valerá a pena o esforço.
Encontrar algo mais belo e verdadeiro que o Amor entre dois seres humanos, é simplesmente estupido.
O Encontro que surge
O vislumbre de beleza
O aconchego que vem pé ante pé
O cheiro a calor, do corpo, esse maravilhoso contentor do ser amado
Definitivamente o Amor é mais uma, outra, dimensão
Existe a largura, a profundidade e a altura do espaço
Existe o passado, o presente e o futuro do tempo
E depois Existe o Amor.
O lugar mais belo onde e quando se pode Viver.

Ontem, dia 26, o Pai faria 65anos
Lembrando Ele, e lendo Fernando Pessoa
Aqui deixo um pouco do Pessoa que me lembra o Pai
A todos os que Amo.

"Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa. A conversa que fora amortecendo, jazia morta entre nós. Procurei reanimá-la, ao acaso, servindo-me de uma ideia que me passou pela meditação. Voltei-me para ele, sorrindo.
-É verdade: disseram-me há dias que você em tempos foi anarquista...
-Fui, não: fui e sou. Não mudei a esse respeito. Sou anarquista.
-Essa é boa! Você anarquista! Em que é que você é anarquista?... Só se você dá à palavra qualquer sentido diferente...
-Do vulgar? Não; não dou. Emprego a palavra no sentido vulgar.
-Quer você dizer então, que é anarquista exactamente no mesmo sentido em que são anarquistas esses tipos das organizações operárias? Então entre você e esses tipos da bomba e dos sindicatos não há diferença nenhuma?
-Diferença, diferença, há... Evidentemente que há diferença. Mas não é a que você julga. Você duvida talvez que as minhas teorias sociais sejam iguais às deles?...
-Ah, já percebo! Você, quanto às teorias, é anarquista; quanto à prática...
-Quanto à prática sou tão anarquista como quanto às teorias. E quanto à prática sou mais, sou muito mais anarquista que esses tipos que você citou. Toda a minha vida o mostra.
-Hein?!
-Toda a minha vida o mostra, filho.
Você é que nunca deu a estas coisas uma atenção lúcida. Por isso lhe parece que estou dizendo uma asneira, ou então que estou brincando consigo.
-Ó homem, eu não percebo nada!...
A não ser..., a não ser que você julgue a sua vida dissolvente e anti-social e dê esse sentido ao anarquismo...
-Já lhe disse que não - isto é, já lhe disse que não dou à palavra anarquismo um sentido diferente do vulgar.
-Está bem... Continuo sem perceber...
Ó homem, você quer-me dizer que não há diferença entre as suas teorias verdadeiramente anarquistas e a prática da sua vida - a prática da sua vida como ela é agora?
Você quer que eu acredite que você tem uma vida exactamente igual à dos tipos que vulgarmente são anarquistas?
-Não; não é isso. O que eu quero dizer é que entre as minhas teorias e a prática da minha vida não há divergência nenhuma, mas uma conformidade absoluta. Lá que não tenho uma vida como a dos tipos dos sindicatos e das bombas - isso é verdade. Mas é a vida deles que está fora do anarquismo, fora dos ideais deles. A minha não. Em mim - sim, em mim, banqueiro, grande comerciante, açambarcador se você quiser -, em mim a teoria e a prática do anarquismo estão conjuntas e ambas certas. Você comparou-me a esses parvos dos sindicatos e das bombas para indicar que sou diferente deles. Sou, mas a diferença é esta: eles (sim, eles e não eu) são anarquistas só na teoria; eu sou-o na teoria e na prática. Eles são anarquistas e estúpidos, eu anarquista e inteligente. Isto é, meu velho, eu é que sou o verdadeiro anarquista. Eles - os dos sindicatos e das bombas (eu também lá estive e saí de lá exactamente pelo meu anarquismo) - eles são o lixo do anarquismo, os fêmeas da grande doutrina libertária." (...)

do Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa.

de Arnaldo Antunes

O Sol

"Nessa época o Sol é mais frio
Porque ele se divide em mil
Mas para lá de Janeiro
Ele volta a ficar inteiro

Agora o Sol parece uma laranja madura
Porque ele está sem pintura
Mas quando entra Março
Parece a cara de um palhaço

Tem dias que o Sol vai embora
Tem noites que não tem aurora
Às vezes ele fica no Japão
E só volta quando chega o verão

Agora que o Sol está bravo
Parece uma moeda de um centavo
Mas quando se alegra o Sol
Fica maior que uma bola de futebol

O Sol está brilhando muito claro
Porque hoje é o seu aniversário
Nesses dias ele quase cega
E quem é cego quase enxerga

O Sol está sempre ali no céu
A terra é que faz o carrossel
De noite o Sol apaga sua chama
E dorme debaixo da minha cama"

terça-feira


Se deixares uma fresta aberta
Atenção que sou pequeno
Não hesitarei em tentar entrar
Existe uma curiosidade infinita em mim
Assim a sinto neste momento, infinita
Vislumbro tanta beleza em ti.
Até desconfio da minha percepção
mas para mim, aqui, agora, tu és lindA
Bela e cativante, um lugar onde existir.
Algo que existe...
mesmo que uma fresta, uma porta, uma parede branca.

quinta-feira


Todos Nós temos uma Mente.

A Nossa, Mente!





O Sino toca, e pára. Demora
O Tempo que levo a escrever, Sino
O som penetra-me, marca a hora
Chegou o tempo de abraçar o destino

Existe um espaço entre Nós
A ser percorrido ao contrário

Tu acenaste, deste um passo e após
Eu acreditei, era Eu o destinatário!


Eu não preciso de nada
Tudo o que poderia necessitar
Existe em abundância ao meu redor
E o resto, reside em mim, ou em ti.


Nada me faz falta
Aquilo que falta
Nada faz, a falta
Apenas desfaz


Não sou nenhuma função
Não linear com limites infinitos
Onde a soma, de desejos e expectativas

Quando realizados, me faz avançar
Ou a subtracção dos mesmos
Quando gorados, recuar.


Se fosse uma realidade matemática
Seria uma equação
Com mil e uma incógnitas
Tenho e gosto de questões
E o encontro é sempre a solução.

As Musicas 5estrelas no iPod:

Anywhen – The Opiates – Dinah and the Beautiful Blue
Artur Pizarro – Beethoven Piano Sonates – Piano sonata No.14 Op.27 No.2 “Moonlight” in C sharp minor
Brad Mehldau – The Art of the Trio – Exit Music (for a film)
Cartola – Cartola – O Mundo é um Moinho
Cartola – Cartola – Preciso Me Encontrar
Christopher O’Riley – Hold Me To This – No Surprises
Evgeny Kissin – Moonlight Sonata – Piano Sonata in C sharp, op.27 nº2 “Moonlight”
Evgeny Kissin – Moonlight Sonata – Presto Agitado
Jacques Brel – Quinze Ans D’Amour – La Chanson Dês Vieux Amants
José Afonso – Colectânea – Cantigas de Maio
Nina Simone - Four Women: The Nina Simone Philips Recordings Disc 2 – Feeling Good
Perry Blake - Broken Statues – Genevieve
Radiohead – Kid A – Idioteque
Radiohead – Live At le Réservoir, Paris – Everything in its Right Place
Radiohead - Live At le Réservoir, Paris – Fog
RJD2 – Deadringer – Ghostwriter
Ryuichi Sakamoto – Moto.Tronic – Forbidden Colours
Ryuichi Sakamoto – Moto.Tronic – Insensatez
She Wants Revenge – She Wants Revenge – Out of Control
She Wants Revenge – She Wants Revenge – Tear You Apart
Sia – Exit Music (Radiohead Tribute) – Paranoid Android
Sigur Rós – Ágaetis Byrjun – Svefn g Englar
The Smiths – The Very Best of The Smiths – I Know It’s Over
Toquinho e Vinícius – 10 anos sem Vinícius – O Velho e a Flor
Toquinho e Vinícius – 10 anos sem Vinícius – Nature Boy
Vários Artistas - Soundtrack from In the Mood for Love - Yumeji's
Vários Artistas - Verve Unmixed V.3 - Speak Low
Vinicius, Marilia Medalha, Toquinho - 10 Anos Sem Vinicius - Como Dizia O Poeta
Vive la Fête - Republique Populaire - Lemon Incest


Banda Sonora da Manhã:

Pascal Comelade – Cabaret Galactic – Moritat von Mackie Messer
Yann Tiersen – Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain – La Valse d’Amélie (Version Piano)
Pulp – Hits – A Little Soul
Paulo Ricardo – Tom Jobim Lounge – How Insensitive (Insensatez)
Perry Blake – Broken Statues – Genevieve
Sofa Surfers – Ambient Lounge 2 – Sofa Rockers
Ficherspooner - #1 – Emerge
Caetano Veloso – Fina Estampa – Vuelvo ao Sur
Lalo Schifrin – Strictly Breaks vol.4 – Danube Incident

É verdade que te isola do mundo, uns fones nos ouvidos... o som da realidade passa a ser a musica que ouves e gostas, e mais ninguêm ouve a mesma musica. E tu não ouves mais ninguêm. É como se caminhases no ar.

Só que o filme mental que quase diariamente fazemos à nosso volta, deixa de ser assim tão mental. Pelo menos para mim, dou por mim, e dou muito mais atenção ao que me rodeia, a observar os mais pequenos pormenores, do presente, a senhora que bate com a colher do café na chavena, três vezes. UM DOIS TRÊS. Ao ritmo da banda sonora que escolhi. A rapariga que avança a correr pelo passeio, fora do ritmo, atrassada, a fugir da chuva talvez. E quando a velocidade a faz virar a esquina ao fundo e eu a perco de vista, muda a musica, Emerge. E a chuva aumenta ao som, ao ritmo,You don't need to Emerge from nothing, You don't need to Tear away.

Mas à velocidade que ela ia... já deve estar longe. E derrenpente a chuva é tanta, e toda a gente fugiu e eu estou sozinho a caminhar pela Ferreira Borges. Tenho um segundo de silêncio, Pausa, o barulho da chuva na rua deserta, um violoncelo toca e o Sr.Caetano Veloso fala em voltar para o Sul. A chuva acalma, vem o Brasil à memória, Um senhor de fato e gravata abre o seu guarda chuva à saida do café, a banca dos jornais está cheia de gente que não quer saber do que se passa no mundo dos outros, quer é não ficar molhado neste mundo que é nosso. Fico parado à porta do café deixo sair o senhor e duas senhoras já de idade avançada. Entro no café e sento-me a um canto.

Quando o empregado brasileiro se aproxima, retiro um fone, peço um galão e uma sandes de fiambre, com manteiga. Quiero al Sur, su buena gente, su dignidad, siento el Sur, como tu cuerpo en la intimidad. Vuelvo al Sur, llevo el Sur, te quiero Sur, te quiero Sur... Ainda ouço Lalo Schifrin com um toque de Portishead a compassar o toque da colher na chavena, antes de desligar o iPod.



quarta-feira

Como Matar Dois Gatos de Um Salto Só!

Como matar dois gatos de um salto só, sem deixar rastro nem sujar as mãos. Esta é a receita de hoje.

Colocar um obstáculo relativamente alto, mais ou menos um metro e meio de altura, no centro de uma varanda. É importante a varanda ser alta também, existem relatos verídicos de gatos que saltaram de um quinto andar e não morreram.

Este obstáculo deve ter maneira de ser ultrapassado, sem ser necessário saltá-lo, puderá ser apenas um pequeno buraco, por onde um gato adulto consiga passar, mas com alguma dificuldade.

Todos sabemos que uma das características mais fortes dos felinos, é a sua curiosidade, talvez seja mesmo a característica mais marcante, mais que serem pardos de noite, ou reactivos, mesmo que muitas vezes a reacção seja a aparente indiferença.

Portanto é certo que sem esforço, o primeiro gato, mais tarde ou mais cedo, vai passar por esse buraco e refugiar-se do outro lado, o outro gato de início não irá, mas quando no momento seguinte o lado de lá estiver vazio, este, o gato, irá explorar ele também os recônditos lugares que existem para lá deste buraco. Do lado de lá do obstáculo.


Com o tempo, e a paciência necessária para atingirmos os nossos objectivos, o dia vai chegar, vai chegar o dia em que ambos os gatos vão passar de cá para lá e de lá para cá, sem problemas, vão estar até, os dois do lado de lá, disputando territórios.

E depois, bom depois vão querer passar ambos ao mesmo tempo, e depressa, e então, vai haver um deles que vai saltar o obstáculo, e vai perceber que o obstáculo é muito mais fácil de ultrapassar saltando-o, do que usando um pequeno buraco para o mesmo fim.

Nesta fase devemos esperar que o outro gato tam
bém adopte a mesma estratégia, contra as dificuldades que encontramos na vida, saltamos por cima delas.

Com um pouco de treino e a nossa estimulação, os gatos vão ganhar um bom treino para saltar sempre por cima dos obstáculos que forem encontrando, para estimular um gato, nada melhor que correr atrás dele, coisa que eles não apreciam lá muito, podemos também gritar com eles. Eles vão fugir e saltar o obstáculo a correr para se refugiarem do aparente perigo, no lado de lá.

Depois vem o passo mais importante da estratégia, o último passo é sempre o mais importante, o definitivo. Temos que empurrar o obstáculo até uma das beiras da varanda, e nesta altura, devemos correr atrás dos gatos e esperar que eles saltem o obstáculo a correr e aterrem uns andares a baixo, mortos se tudo correr bem.

Se os gatos forem espertos e não saltarem por cima da unica prova do crime, tendo se apercebido que a distância que percorreram até à mesma, perfaz a verdadeira grandeza da varanda, decidindo então enfrentar o perigo. Só resta uma alternativa: agarrar num gato de cada vez, mesmo sabendo que talvez nos arranhem, e atirá-los pela varanda. Nesta segunda estratégia convêm atirá-los com força, para eles não conseguirem cair de pé.

O problema agora, é que assim somos obrigados a tomar uma iniciativa clara, uma decisão, e por isso vamos carregar com o peso na consciência, e mais, temos que escolher qual dos gato matar primeiro. Por isso, a resultar, a primeira estratégia é bem melhor, é que afinal de contas se eles saltarem, saltaram porque quiseram ou porque em vez de gatos, foram burros.


FRASES FAMOSAS 1

CHAPÉUS HÁ MUITOS











































E não é que há mesmo muitos!! Chapéus, cabeças, perucas, pensamentos, consciências, ideias, conceitos, piolhos, shampoos, sentenças, percepções, ilusões, noções, juizos, sombreiros, espíritos, cérebros...
Eu sei lá, existe um cem número a multiplicar e elevado a toda a potência de cada um de nós!!

terça-feira

Fui ver Cat Power. Infelizmente não gostei. Mas lá está, tinha uma expectativa enorme, adoro os cd’s, acho-a linda, sempre que vi em vídeo as suas actuações fiquei estonteado.

Só que o som estava muito mau, não é possível gostar dela sem a ouvir, e ela não se ouvia simplesmente. Foi pena.

Já faz muito tempo na minha vida em que quis ser o maior, The Greatest, hoje estou muito longe de qualquer julgamento comparativo, já não quero ser melhor ou pior que o julgamento que faço do outro, já não me comparo constantemente com o que me rodeia, olho muito para mim mesmo e tento diariamente sentir-me melhor com o que encontro em mim e com a forma, verdade, aceitação e compaixão com que me dou ao outro.

Na verdade não compreendo o confronto, tanto o interno, aquele que constantemente criamos com nós mesmos, como o externo, aquele que quase sempre construímos com o que nos rodeia, que normalmente é sempre o que está mais a jeito, para fugirmos de olharmos para o nosso interior e conhece-lo, aceitá-lo e mudá-lo, sem confronto, sem luta.

Quase sempre o que damos à vida, recebemos em dobro.

Nem sei muito bem o porquê de estar a escrever estas palavras, depois do concerto, mas hoje é o que sinto. Um vazio calmo, perplexo. Fico estupefacto com a convicção com que se cometem certos actos. Fico boquiaberto com a brutalidade com que se assumem verdades ridículas. Fico suspenso num mundo estranho àquele em que habito. Suspenso na irrealidade do meu sentir acerca da verdade que o outro me transmite, e assim me despeço, sem mais demora, não existo nesse mundo, não quero existir nesse mundo e nem sequer consigo existir nesse mundo, por isso, adeus.


Ontem li que morrem muito mais cavalos em noite de lua cheia, ninguém consegue explicar o porquê, mas a estatística (ciência biquini, mostra quase tudo, mas esconde o essencial) prova a verdade dos números. Fiquei a pensar no assunto. A lua sempre me influenciou, confesso que até já penso ser uma das razões primordiais de estar a escrever este post hoje, está lua cheia. Quando a lua está cheia, eu estou cheio também, e estou cheio do sentimento mais verdadeiro que existir em mim no momento. E por isso hoje estou cheio de vazio e de perplexidade.

Até amanhã.

domingo

Ontem não consegui evitar, apesar do preço dos livros ser um roubo.
Comprei o último livro do Haruki Murakami, o último que saiu por terras lusas.
Crónica do Pássaro de Corda.
Já li o Sputnik meu Amor, que gostei, apesar de não me ter maravilhado, a verdade é que me cativou. Normalmente quando gosto de um autor, gosto de ler mais que um livro dele. No meu aniversário, a amiga Libelinha, ofereceu-me o Kafka à beira mar, penso que sem saber muito bem o que me estava a dar a ler. Amei.
Só que o livro é grande, e então pensei... vou ler primeiro o Sputnik, que é mais curto, se gostar da escrita deste japonês... a
venturo-me a ler o Kafka.
Li os dois, de seguida, sem parar. Kafka à beira mar é genial.
E Ontem comprei este último que já comecei a ler.

"Toru Okada, um jovem japonês que vive na mais completa normalidade, vê a sua vida transformada após o telefonema anónimo de uma mulher. Comaçam a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real vai degradando-se até se transformar em algo fantasmagórico. A percepção do mundo torna-se mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru sente-se impelido a resolver os conflitos que carregou durante toda a sua vida."
Pode ser que esteja a ficar mesmo muito doido, mas parece
-me que conheço esta história muito bem, vou ler e depois logo vejo.