CHAPÉUS HÁ MUITOS










Eu sei lá, existe um cem número a multiplicar e elevado a toda a potência de cada um de nós!!










Fui ver Cat Power. Infelizmente não gostei. Mas lá está, tinha uma expectativa enorme, adoro os cd’s, acho-a linda, sempre que vi em vídeo as suas actuações fiquei estonteado.
Só que o som estava muito mau, não é possível gostar dela sem a ouvir, e ela não se ouvia simplesmente. Foi pena.
Já faz muito tempo na minha vida em que quis ser o maior, The Greatest, hoje estou muito longe de qualquer julgamento comparativo, já não quero ser melhor ou pior que o julgamento que faço do outro, já não me comparo constantemente com o que me rodeia, olho muito para mim mesmo e tento diariamente sentir-me melhor com o que encontro em mim e com a forma, verdade, aceitação e compaixão com que me dou ao outro.
Na verdade não compreendo o confronto, tanto o interno, aquele que constantemente criamos com nós mesmos, como o externo, aquele que quase sempre construímos com o que nos rodeia, que normalmente é sempre o que está mais a jeito, para fugirmos de olharmos para o nosso interior e conhece-lo, aceitá-lo e mudá-lo, sem confronto, sem luta.
Quase sempre o que damos à vida, recebemos em dobro.
Nem sei muito bem o porquê de estar a escrever estas palavras, depois do concerto, mas hoje é o que sinto. Um vazio calmo, perplexo. Fico estupefacto com a convicção com que se cometem certos actos. Fico boquiaberto com a brutalidade com que se assumem verdades ridículas. Fico suspenso num mundo estranho àquele em que habito. Suspenso na irrealidade do meu sentir acerca da verdade que o outro me transmite, e assim me despeço, sem mais demora, não existo nesse mundo, não quero existir nesse mundo e nem sequer consigo existir nesse mundo, por isso, adeus.
Ontem li que morrem muito mais cavalos em noite de lua cheia, ninguém consegue explicar o porquê, mas a estatística (ciência biquini, mostra quase tudo, mas esconde o essencial) prova a verdade dos números. Fiquei a pensar no assunto. A lua sempre me influenciou, confesso que até já penso ser uma das razões primordiais de estar a escrever este post hoje, está lua cheia. Quando a lua está cheia, eu estou cheio também, e estou cheio do sentimento mais verdadeiro que existir em mim no momento. E por isso hoje estou cheio de vazio e de perplexidade.
Até amanhã.




PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
-ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos
frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Mário Cesariny
Faço das afirmações do poeta
as minhas dúvidas.
E afinal o que importa?
Importa não ter medo sem dúvida
Não posso me preocupar com o todo
nem sequer o particular consigo abraçar
No meio das aparências
Por entre critérios
O poeta aponta-me o dedo
Afinal o que me importa?
Importa-me ter nesse dia 154cm de profundidade
Importa-me lá chegar sem dor e peso e em paz descansar.
Importa-me amar.
fotografias da experiência do Dr.Masaru Emoto - "Messages from Water"
Por vezes, na verdade diversas vezes, levamos paulada da vida.
Como diz o Sérgio, a principio é triste, andase sozinho.
Depois achamos que crescemos, que já somos adultos, uns senhores, e que já sabemos como é a vida. Deixamos-nos de lamechiches e a vida é tão somente uma sequência lógica de acontecimentos que tentamos controlar, afastamos as memórias tristes que teimam em aparecer e acordamos todos os dias, para mais um dia, e chamamos vida a isso.
Até que, num momento qualquer, um número qualquer de horas, dias, noites...
Puff!!!
Voltamos a ser crianças.
Cantamos música na Rua, uma qualquer Rua, uma qualquer Musica.
E a minha de hoje, na Rua dos Prazeres foi:
ComposiçÃo: Jorge Ben
ElA é minhA meninA
Eu sou o menino delA
ElA é o meu Amor
E eu sou o Amor todinho delA
A luA prAteAdA se escondeu
E o sol dourAdo ApAreceu
AmAnheceu um lindo diA
CheirAndo A AlegriA
Pois eu sonhei
E acordei pensAndo nelA
Pois elA é minhA meninA
E eu sou o menino delA
ElA é o meu Amor
E eu sou o Amor todinho delA
A roseirA jÁ deu rosAs
E A rosA que eu gAnhei foi elA
Por elA eu ponho o meu coraçÃo
NA frente dA rAzÃo
E vou dizer
PrA todo mundo
Como eu gosto delA
Pois elA é minhA meninA
E eu sou o menino delA
ElA é o meu Amor
E eu sou o Amor todinho delA
ElA é minha meninA
Eu sou o menino delA
ElA é o meu Amor
E eu sou o Amor todinho delA
A luA prAteAdA se escondeu
E o sol dourAdo ApAreceu
AmAnheceu um lindo diA
CheirAndo A AlegriA
Pois eu sonhei
E Acordei pensAndo nelA
Pois elA é minhA meninA
E eu sou o menino delA
ElA é o meu Amor
E eu sou o Amor todinho delA
A roseirA jÁ deu rosAs
E A rosA que eu gAnhei foi elA
Por elA eu ponho o meu corAçÃo
NA frente dA rAzÃo
E vou dizer
PrA todo mundo
Como eu gosto delA
Pois elA é minhA meninA
E eu sou o menino delA
ElA é o meu Amor
E eu sou o Amor todinho delA
MinhA meninA,
MinhA meninA...
Questiona-me, dúvida de mim, não quero dizer com isto para não acreditares no que te escrevo, ou não acreditares no que mostro, te dou.
Não aceites o que recebes de mim, sem o sentir, sem o questionar. Nada em mim é inquestionável, tudo é contraditório. Eu sou paradigma mente, um paradoxo, constante na impermanência.
Ajuda-me a não ter tantas certezas, que mais cedo ou mais tarde, mas inevitavelmente, vão cair, qual castelo de cartas, qual domino, neste jogo que me parece não conseguir deixar de jogar, e que consiste em competir eu com as minhas certezas contra mim mesmo e as minhas duvidas.
Ajuda-me a não estar sempre renitente em relação ao futuro, teimoso no que ao presente diz respeito. Mostra-me sempre o teu ponto de vista, não tentes fazer do meu, teu.
Concorda quando concordares, discorda se discordares, partilha.
Leva-me ao teu mundo, vem passear comigo no meu. Tentemos fazer estas viagens de mãos dadas. Chama pela minha atenção, cativa-me.
Vem, mas não tragas muitas fantasias, vem aberta a conhecer o meu mundo, senti-lo, cheira-lo, toca-lhe, tenta decifra-lo no teu muito próprio método de decifrar códigos, palavras, encontros. Deixa-me tentar fazer o mesmo no teu. Se o fizeres vais mostrar-me uma outra forma de me ver, vais me apresentar um outro, eu. Se o conseguires vais me presentear com o teu reflexo de mim, um outro eu, o que vislumbras, o que procuras admirar e gostar. E quem sabe eu também consiga amar esse novo, eu, o eu que vislumbras. Mas vem, e deixa-me chegar a ti, de avião, de comboio, de bicicleta ou a nado, tanto faz, vem simplesmente.
Há dias, alguém, já muito especial, e mais uma vez a vida vem me mostrar que o tempo é mesmo relativo, afirmou sobre mim: cheio de duvidas o menino.
Tenho muitas, gosto delas, das dúvidas, das questões, dos porquês, sou um ser pragmático na eterna falta de prática em viver, sou um ser racional na constante emoção e sensação à flor da pele, de estar vivo.
E pronto, lá vou eu seguir viagem com o meu camarada pragmático e racional, a dúvida de hoje é ela mesmo, a própria, afinal o que é a dúvida?
A dúvida é a incerteza sobre a realidade de um facto ou verdade de uma asserção, e uma asserção é o quê? Uma afirmação, uma proposição afirmativa ou negativa enunciada como verdadeira, uma alegação.
Para tudo. Aqui, Aí, Agora ou nesse momento.
Que quero eu saber sobre a incerteza dos factos? Se os factos foram, estão e serão sentidos e vividos, não pode existir incertezas nisso, Eu senti, Tu sentiste, Nós sentimos. Ponto Final. Eu sinto, Tu sentes, nós sentimos, virgula, e virgula porquê? Porque a virgula é tão somente uma pequena pausa de espera, espera para respirar e continuar, continuar a ler, continuar a viver, continuar a sentir, logo, Eu sentirei, Tu sentirás, nós sentiremos.
Não restam dúvidas, nem sequer existem certezas, o camarada pragmático e racional está de férias, volta noutro dia para continuar esta brincadeira.
Ainda ia longe, do lugar já marcado na minha memória, por um passado muito recente. Mas, mais uma vez, pergunto: quanto tempo tem o presente?
No espaço materializado, na realidade tangível, ia a descer, como quem vem do Largo do Rato em direcção à Estrela.
No tempo cronometrado, quantificado, ia na vigésima primeira hora, do vigésimo dia, do décimo primeiro mês, do milésimo segundo e sexto ano, contados a partir do senhor que foi crucificado.
Só que em pensamento, não só já não me encontrava entre os ratos e as estrelas, como o tempo já pouco ou nada interagia comigo.
Sabia que era noite, que a lua prateada já iluminava o meu caminho e isso era o bastante.
Já descia de quem vem de Paço de Arcos e vai em direcção a Oeiras.
Marginal.
Ia à margem dos que me rodeavam, e tantas vezes me sinto viver assim, Marginal, à margem do que aparentemente me envolve, num mundo difícil de descrever, feito de uma mistura sem fim de espaços, tempos e sentimentos, com múltiplas dimensões.
Fiz várias vezes aquela descida, até a ter feito realmente e voltei a faze-la mais uma qualquer quantidade, irrisória por ser quantidade, de vezes.
Mas sabes? Tu sabes, nem uma única vez, fiz a descida realmente como a fiz em pensamentos.
E mesmo agora, depois de ter feito a descida, mas a subir, voltei a não a fazer.
Um dia descemos juntos.
Existem filmes assim, vivos. Por mais vezes que os veja, são sempre novos. In The Mood for Love é um deles, de cada vez que o vejo sinto algo novo, capto uma nova ideia, uma nova sensação, um significado.
É uma entidade viva que comunica comigo, é a minha percepção que faz o filme, é a imagem, é a musica, é o tempo.
Este sabado voltei a vê-lo, e mais uma vez o que vi, o que senti e o que pensei foi novo.
É como o amor, existem amores assim, vivos, de cada vez que encontras o teu amor ele é sempre o inesgotável mistério, a plena sintonia.
In The Mood for Love, no título em inglês, Disponivel para Amar em português, ou disposto a amar, ou a possiblidade de amar, ou simplesmente duas pessoas que se encontram, que se tocam e que partilham.
Existem relógios, mas não são eles que marcam o tempo, que carimbam a memória. São os maravilhosos vestidos delA. E tantas vezes assim é, já não te lembras bem em que dia foi, ou que horas eram, mas lembras-te que ela estava vestida com aquela saia vermelha, esvoaçante, enebriante. E tu de subito eras pequeno por entre tanta luz.
As mãos, o toque. Palavras para quê? afinal? o que me marca, o que guardo em mim, não são as palavras que disse ou que não disse, não são as afirmações ou questões que ouvi. O que guardo mesmo do meu encontro com o outro, com o mundo, é o calor, a textura e o cheiro, o seu gosto, o som do seu movimento ou o silêncio da sua presença em mim.
Como é bonito o toque no filme, subtil, diz tudo, o que aquele que apenas estiver aberto a entender as palavras não percebeu, o que quem sente reconhece com prazer, até com nostalgia do futuro.
Se ainda não viste, vê. Se já viste, vê. Se ainda não amaste, ama. Se já amaste, ama. Ama simplesmente.
Esqueço sempre que a pressa é inimiga da perfeição.
Não consigo sentir ou perceber o tempo do outro.
E com isso, por vezes vou com o carro em frente dos bois, outras vezes, fico muito longe do lugar onde o outro se encontra.
Com Ela isso está a ficar claro, o que para mim já leva algum tempo, para Ela ainda nem sequer começou, ou existe, é como sinto.
O senhor de cabelos grisalhos chegou com uma cara triste, deve ser porque também sente que o curso não está a ser tão bom como puderia, o curso dos acontecimentos...
Na verdade, apenas falar ou teorizar sobre estas coisas, sem as praticar ou viver, torna tudo muito mais dificil, complicado e mesmo doloroso para as apreender, uma quantidade apenas, de conceitos e realidades que seriam obvias, se as sentisemos.
Na prática, o encontro com nós mesmos é muito mais forte, claro e limpo. É verdadeiro. Apenas na prática te encontras, na teoria... fujes de ti mesmo, a sete, ou sete mil pés.
Contudo, não vai ser fácil olhar para Ela com outros olhos, que não os de encantamento, os meus do momento. Enquanto continuar a vislumbrar tanta beleza nelA. Enquanto Ela continuar a aparecer, no lugar para onde olho.
Já percebi que pode não ser uma questão de tempo, a questão é que o meu tempo passa, mas eu continuo a ver a beleza.
E assim fica quase impossivel não me deixar embarcar, pelo mar a dentro da beleza, que vislumbro, que Ela planta no espaço e no tempo em que existe.
Aqui, Existe a duvida
Acolá, Reside a ilusão
Ontem trazia a ilusão de uma certeza
Hoje carrego a certeza de uma duvida
O que irá acontecer amanhã?
Se hoje não atear a ilusão de ontem
Se compreender que após a desilusão de uma noite
Existe sempre outra manhã.
As palavras são utensílios inúteis para a partilha entre dois seres humanos, não servem para mais nada que não seja a comunicação; as palavras são monstros que talham a comunicação à sua maneira e como são finitas, por maiores que os dicionários sejam, tornam a comunicação finita, também, balizada, presa, limitada, apartada, localizada, estabilizada, normalizada, estagnada, …
Os dicionários, são a lista de todas as palavras que sabemos usar, em princípio com elas seríamos capazes de exprimir tudo, mas por alguma razão, ao longo da história, os dicionários tem vindo a aumentar e a diminuir, conforme o momento histórico da humanidade.
Já existem também enciclopédias, listas telefónicas, manuais para tudo e mais alguma coisa, o ABC do Amor, o ABC da sexualidade, o ABC do bricolage, o ABC da mecânica automóvel, existe quase o ABC de tudo, entre eles o ABC do DEF que ao que ouvi dizer por palavras ensina quase tudo, se não tudo mesmo acerca do GHJ.
Este pseudo e irrisório ensaio em forma de carta e manifesto, está a ser escrito e expresso por palavras, por isso é pobre e medíocre no seu todo e inútil no seu conceito; pois pretende transmitir algo que vai vagueando e mal tratando o autor do mesmo, por palavras, sabendo o autor que nem mesmo aos gritos mudos ele consegue por para fora tudo o que lhe vai na alma, porque nem ele mesmo tem palavras que o ajudem a explorar todo o seu âmago, por isso pára sempre nessa fronteira e daí em diante é uma imensa escuridão assustadora, vertiginosa, atractiva, inebriante, estonteante, desesperante, angustiante, …
As palavras existem para dar nomes aos nomes. Mas existem nomes sem nome, e quando os encontramos ficamos vazios. Para isso então, alguém teve a maravilhosa ideia de inventar os sinónimos, no fundo são mais palavras que querem dizer exactamente o mesmo que as anteriores já inventadas, mas que não querendo dizer exactamente o mesmo, ou se o mesmo quisessem dizer diziam-no pelas mesmas palavras e não por outras quaisquer; acabam por dizê-lo.
Assim nasceu o conceito e a palavra comunicação, que é nada mais nada menos que querer dizer algo, não dizendo nada para que se pense que dissemos tudo.
Para complicar tudo um pouco mais ainda, foi inserida mais uma variável, nesta equação, já de si impossível de resolver.
É que existem as palavras escritas e as palavras faladas.
Formas diferentes de usar a mesma coisa.
Pior ainda, existe hoje também uma variável de extrema importância na convivência entre seres humanos, que é a maneira, ou a forma, seja ela falada ou escrita com que se dizem as coisas. Porque é de uma diferença abissal dizer : estou farto, ou dizer estou farto. Até porque farto quer dizer tanta coisa, estou cansado, estou exausto, estou cheio, estou abarrotado, estou saciado, estou empanturrado, estou nutrido, estou abundante, estou enfastiado, estou aborrecido, ou ainda se a palavra não se tivesse tornado nisto, estou simplesmente farto (grita).
Depois existem pessoas, como o autor deste manifesto, desculpem, pseudo-manifesto, que sente sempre que as palavras não dizem o que ele quer dizer, por isso, em vez de desistir de as usar, continua em busca delas, porque já está viciado, adulterado, falsificado, anulado. Mas mesmo para pessoas como ele já existe uma palavra: redundância.
"Liguei o carro, dei meia volta e segui o meu caminho, supostamente o meu caminho, deixei para trás a Travessa do Moinho Velho, depois de mais um combate contra os velhos moinhos de vento, depois de mais uma sentida derrota. Não por sentir ou achar ter perdido o combate, até porque não existem combates contra moinhos de vento, e eles, os moinhos, de tão velhos, se calhar já nem existem mesmo, afinal quem é que aqui, ainda e agora tem esperança que o vento venha?
Mas dei meia volta com a sensação de ter perdido mais uma vez, de ter perdido qualquer coisa minha que me custa sempre tanto voltar a encontrar, e por isso dei meia volta triste.
Não havia trânsito, podia conduzir sem atenção, e por distracção enganei-me no caminho, só dei por isso quando no meio do Nada, um sítio familiar por qualquer razão que não lembro qual, um sítio que parecia conhecer tão bem; esse Beco do Nada, reparei em algo que deveria ser realmente novo alí, como se eu conhecesse perfeitamente este beco mas sem aquela tableta ao canto.
O Beco do Nada, sempre tinha sido um beco sem saída, mas desta vez eu encontrei uma tableta no suposto fim do beco a indicar o Fim do Mundo em qualquer direcção.
Parei o carro e segui a pé, subi dois degraus e virei à esquerda, cheguei então a um Largo lindo, como eu nunca tinha visto, nem sequer sonhado projectar, era o Largo do Fim do Mundo, era alí o fim do Mundo.
Só haviam duas saídas ou entradas para este largo, uma foi por onde cheguei, a outra era o meu caminho.
Sem sequer pensar continuei a caminhar, a caminhar o meu caminho, deixei para trás o Mundo e o seu fim.
Não te consigo dizer por palavras como era este lugar, era onde não se andava, mas existia movimento, era o puro sentimento, acho que só com os meus olhos, as minhas mãos, a minha boca, o meu corpo e tudo em mim que comunica sentimentos, que não a palavra, te conseguia descrever este lugar que encontrei, com um simples beijo tenho a certeza que te fazia ver e sentir tudo isto.
Vi e senti as coisas mais bonitas aqui, a alegria era linda e a tristeza era sua irmã gêmea.
A solidão existia para quem queria e apenas para quem a queria, alías aqui a vontade, o desejo e o Amor eram a norma.
E depois, acordei, vivo."
É bom, encontrar textos antigos, e fotografias antigas e ainda gostar do que fizemos no passado. Hoje deixo por aqui um pouco do meu passado distante.

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."
Alberto Caeiro
Desta vez é ao contrário do que tem acontecido por aqui.
Desta vez a fotografia é minha, a poesia é de um dos mestres.
Até aqui normalmente a poesia é minha e as fotografias de mais uns tantos mestres e fontes de inspiração que vou conhecendo...
No sexo é uma criança que finalmente brinca, com o brinquedo com que sempre sonhou.
Brinca com o meu corpo, sem se cansar, não existe mais brinquedo neste mundo.
Viaja no meu corpo, é um caminhante que finalmente explora o destino de toda uma vida.
Descobre todos os cantos e recantos, saboreados com todo o prazer e plena atenção.
Toca-me, no dedilhar dele Eu sou o Piano, e juntos somos Musica.
Nas mãos dele, sou uma obra de arte, de qualquer arte.
É arte o nosso encontro.
Sabes? Quando Tu Sabes!
Que não foi bem assim
mas que foi assim que foi
Que as coisas acontecem assim
para ti, em ti, contigo
Porque para mais ninguêm
nem com outro alguêm
Foi assim que aconteceu
Sabes?
É isto? É mentir?
É ser louco? Doente?
Eu não sei!
Longa ausência. Do blog, não da escrita. Tenho escrito muito, no meu bloco de papel.
Nada como o encantamento, nada como o contentamento, como a simplicidade.
Nada como o presente, nada como a verdade.
Nada como Ela.
Os próximos posts são um pequeno resumo daquilo que tenho escrito à deriva, em papel. Entre conversas, entre filmes, entre copos, entre abraços.
É favor não fumar, se for possivel...
Curtar pelo picotado e escrever com letras maiuscúlas.
Não temos serviço de esplanada.
E as bebidas, são para consumo no estabelecimento.
Tabaco, só ao balcão, mas para comprar
Nunca para fumar.
Até porque o tabaco prejudica gravemente a saúde.
E quem o adverte é o Governo.
E o governo nunca se engana
E raramente tem duvidas.
E é preciso saber investir
Isto é, para quem quer lucro.
Perdão?
Desculpe?
Agora não percebi...
Existe alguêm que não queira lucro?
Lucro é a melhor coisa do mundo
A única que realmente interessa.
Sente-se alguma ironia no meu pensamento?
É sempre o meu problema...
Raramente consigo ser convincente.
Temos que iniciar difíceis negociações
É que parece, tudo acaba por ser um negócio
Vamos ficar os dois a perder, como sempre…
É um jogo ingrato, este
Somos obrigados a jogar, por nós mesmos…
Não sabemos as regras.
Nunca vencemos
Nem conhecemos vencedores, é verdade que não existem derrotados…
Mas perdemos sempre, todos.
Pessimista?
Derrotado?
Eu?
Não, Estão enganados!
Realista?
Eu?
Nem pouco, mais ou menos
Subjectivo, esse sim, é um adjectivo que conheço e aceito.
Nem mais, Nem menos
Sou subjectivo, contraditório, parcial e sonhador.
Quer dizer…
Utópico!
Que com o acordo ortográfico, se não me engano…
Sonhador passou a ser Utópico.
E Utópico passou a ser Estúpido.
Logo, se a lógica ainda tem alguma lógica
E se “A” implica “B”
E se “B” implica “C”
Logo, Sonhador passou a ser Estúpido
E Eu sou Estúpido.
Nem Mais, Nem Menos
Gasto tempo a escrever estas coisas
Gasto tinta, papel e principalmente dinheiro…
E isso é um crime, e quem comete um crime é criminoso
E um criminoso merece a lei
E a lei é sempre justa
E a justiça tarda, mas não falha
Por isso, estou aqui sentado à espera do meu castigo
E mereço, mereço um punho firme.
Não pudemos esquecer que uma maça podre é uma epidemia.
Apodrece todas as boas maças…
Por tudo isto…
Tenho que ser…
Ser encarcerado
Ser isolado
Ser esquecido.
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